Ambev lança cerveja criada por donos de 11 bares da Zona Norte: é a Ramal 33

Cada vagão de trem é testemunha de histórias contadas e vividas entre uma estação e outra. As mesas de bar também ocupam este lugar de ouvinte e guardador de segredos. Não por acaso, estes cenários tiveram os seus caminhos cruzados quando os proprietários de badalados botecos da região aceitaram o convite da Ambev para criar uma cerveja que tivesse a cara da Zona Norte. No processo de concepção da nova marca, os donos de Bar da Gema, Bar Madrid, Bar do Bode Cheiroso, Bar do Momo e Botero (Tijuca), Bar da Frente, Noo Cachaçaria e Dida Bar e Restaurante (Praça da Bandeira), Cachambeer (Cachambi) e Bar da Portuguesa (Ramos) tinham a certeza de que a bebida deveria ser perfeita para harmonizar com os petiscos servidos nestes estabelecimentos e batizada com um nome que representasse com poesia o dia a dia de quem tem orgulho de ser suburbano.

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Foi aí que o escritor e historiador Luiz Antonio Simas recebeu a convocação desta turma para ajudar na missão de dar uma identidade ao suco de cevada que seria exclusivo do cardápio destes botequins. Morador da Tijuca e pesquisador da alma carioca, ele não encontrou dificuldade alguma para anunciar o que estaria registrado no rótulo da nova cerveja: Ramal 33.

— O nome precisava ter uma forte identificação com a Zona Norte, então sugeri Ramal 33 porque esta é a histórica linha que liga a estação da Central do Brasil a Japeri. Este ramal de trem passa por diversos bairros da região, como Maracanã, São Cristóvão, Lins de Vasconcelos, Engenho de Dentro e Madureira. É um ramal simbólico para o subúrbio carioca — diz o escritor e frequentador do Bar Madrid, do Bar do Momo, do Bar da Frente e do Cachambeer, entre outros.

Proprietária do Bar da Frente, na Praça da Bandeira, Mariana Rezende não esconde a alegria de servir ao cliente uma cerveja que representa, além da boemia da Zona Norte, a união de amigos que, entre outras coisas, amam ser donos de bar.

— A Ramal 33 é a cerveja da nossa panela. Somos amigos de verdade, nos ajudamos mutuamente. Nós nos aproximamos por frequentarmos os bares uns dos outros e também por termos participado algumas vezes dos eventos do Comida Di Buteco. De uma forma orgânica, um grupo foi se formando. A Ramal 33 já é a bebida que mata a nossa sede nos nossos encontros. Tentamos fazer um churrasco trimestral para confraternizar, juntar todo mundo, mas nem sempre conseguimos. Mas arrisco dizer que, pelo menos semanalmente, dois ou três de nós estão reunidos, jogando conversa fora em algum bar. A nossa parceria, que vem de longa data, ficou ainda mais bonita e forte com a chegada da Ramal 33. Quando a Ambev apresentou esta proposta, ainda antes da pandemia, amamos o projeto, que é semelhante ao que fizeram em São Paulo ao criar a cerveja Três Fidalgas para os bares da Vila Madalena. Esperamos dois anos, mas conseguimos lançar a nossa cerveja mês passado — comemora a empresária.

Além dos bares participantes, a Ramal 33 pode ser encontrada em outros dois estabelecimentos.

— O Costelas, na Praça da Bandeira, é um bar amigo que vende a nossa cerveja. A Liga dos Botecos, em Botafogo e no Flamengo, também tem. Para quem não sabe, a Liga dos Botecos é a união do Bar da Frente, do Cachambeer e do Momo, ou seja, é o sabor da Zona Norte na Zona Sul. Estamos muito felizes com essa homenagem que a Ambev nos fez — observa Mariana.

O lançamento da Ramal 33 em 2022 tem um significado ainda mais especial para Antonio Carlos Laffargue dos Santos, dono do Bar do Momo, na Tijuca:

— O Momo comemora 50 no dia 17 de agosto. Estamos em festa, e esta cerveja é a realização de um sonho que eu nem tinha sonhado. Se depender da nossa vontade, futuramente vamos lançar Ramal 34, 35, 36...(risos). O melhor é que a Ramal 33 é uma puro malte, com um leve amargor, que combina perfeitamente com os petiscos dos bares participantes. Destaco o bolinho de arroz do Momo, o pastel de panceta do Cachambeer, o torresmo do Bode Cheiroso e o bolinho de bacalhau da Portuguesa.

Patrimônio Cultural do Rio, o Bar da Portuguesa, em Ramos, tem à sua frente a portuguesa Donzilia Gomes, a Dondon, que é só elogios para a novidade que já se tornou queridinha dos frequentadores do tradicional boteco onde Pixinguinha (1897-1973) batia ponto.

— A Ramal 33 é tão boa que está chamando novos clientes para a casa. Além de ser gostosa e de ter um rótulo lindo, esta cerveja representa a força da amizade dos donos de bares da região — resume Dondon.

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