Ambev só deve reajustar preços das cervejas após pandemia

Cibelle Bouças
·4 minuto de leitura


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A Ambev informou em teleconferência para analistas que por causa da pandemia de covid-19 segurou o reajuste nos preços da cerveja, que costuma ser feito no terceiro trimestre. “O fim da pandemia parece ser o melhor momento para fazer reajuste em preços e aumentar a receita por hectolitro”, disse o presidente da Ambev, Jean Jereissati.

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O executivo disse que 60% do crescimento em vendas no terceiro trimestre deveu-se à estratégia comercial adotada pela companhia. As vendas de cerveja no Brasil cresceram 25%. As marcas globais, como Budweiser e Stella Artois, tiveram crescimento de 40%, enquanto as vendas das marcas principais (Skol e Brahma) e da Brahma Duplo Malte (segmento intermediário entre as marcas populares e as especiais) avançaram 25%.

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A longo prazo, segundo o executivo, a empresa mantém o plano de reajustar preços em linha com a inflação. Jereissati acrescentou que muitos fatores geram impacto no consumo além do preço, incluindo tipo de embalagem e canal de vendas.

Jereissati acrescentou que, com a reabertura dos bares e restaurantes, a Ambev voltou a atender o mesmo número de clientes de antes da pandemia. As vendas de cerveja em garrafas retornáveis - mais rentáveis que a cerveja em lata - voltaram a crescer em setembro, mas ainda não atingiram o nível pré-pandêmico.

Em setembro, a Ambev inaugurou uma nova fábrica de latas de cerveja em Sete Lagoas (MG) e espera, ao longo das próximas semanas, acelerar o ritmo de produção na unidade, reduzindo a dependência da companhia em relação a fornecedores terceirizados, segundo Jereissati.

“A fábrica vai aumentar o ritmo de produção e isso vai ajudar a reduzir a pressão de custos”, afirmou. O executivo disse que a demanda por cerveja em lata ficou acima do esperado pela companhia no terceiro trimestre, o que gerou impacto no custo de produção.

O executivo considera que as pressões causadas pelo aumento nos custos de matérias-primas no país vai continuar nos próximos meses. “O que estamos fazendo é ampliar o número de fornecedores no Brasil e no exterior para tentar diminuir um pouco a pressão de custos”, afirmou Jereissati.

O presidente da Ambev voltou a destacar o crescimento de 25% nas vendas de cerveja em volume no país no terceiro trimestre. Esse aumento, segundo o executivo, foi feito sem antecipação de compras do varejo para fortalecer os estoques tendo em vista as vendas de fim de ano. No Brasil, a companhia reportou um crescimento de 21,2% na receita líquida total, para R$ 7,68 bilhões.

O executivo observou que o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da operação brasileira cresceu 5,1%, para R$ 2,53 bilhões, com margem de 32,9%, índice considerado saudável na visão de Jereissati.

“Estamos vendendo 10 milhões de hectolitros a mais do que no ano passado, com margem sustentável. Isso mostra que superamos o impacto da pandemia com nossa estratégia comercial”, acrescentou.

Dividendos

A Ambev informou que o valor dos dividendos relativos ao exercício de 2020 será definido no fim do ano e vai depender da evolução do cenário econômico e dos impactos da pandemia de covid-19. “Estamos sendo mais cautelosos com a liquidez da companhia em função da pandemia de covid-19. Vamos seguir monitorando a evolução do cenário para definir os dividendos”, disse Lucas Lira, diretor de finanças e relações com investidores da Ambev.

O executivo observou que a empresa mantém a política de distribuição de pelo menos 40% do lucro na forma de dividendos. Questionado sobre a possibilidade da companhia usar parte do seu caixa recorde para remunerar os acionistas, Lira disse que, por enquanto, a empresa mantém as mesmas regras para uso de caixa — investimento em crescimento orgânico, em estrutura, vendas, marketing, portfólio, e parte dos recursos vai para os acionistas.

No terceiro trimestre, a Ambev registrou geração de caixa livre de R$ 15,57 bilhões no fim de setembro, ante R$ 8,85 bilhões no fim de 2019, um aumento de 76%.

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