Ambientalistas "atacam" ministérios e a residência da primeira-ministra de França

O movimento ecologista francês Dernière Rénovation atacou esta sexta-feira com tinta laranja a fachada do Ministério da Transição Ecológica. Foi mais uma ação de protesto contra a alegada passividade climática do governo liderado por Élisabeth Borne.

Na quarta-feira, tinha sido o Hôtel de Matignon, a residência oficial da líder do executivo francês, a ser "atacado". Na quinta, o alvo foi o Ministério da Economia.

Esta sexta-feira, três membros afetos ao movimento ambientalista, com idades entre os 23 e os 37 anos e armados com extintores carregados de tinta laranja, borrifaram a fachada do Ministério da Transição Ecológica, num protesto testemunhado pela Euronews.

Os ativistas envergavam camisolas com as frases "cidadãos em resistência" e "quem é o culpado?". A polícia interveio e deteve o trio.

Na página do movimento, são dadas duas opções de resposta à pergunta "quem é culpado": "O governo, duplamente condenado pela justiça e fora-da-lei desde 31/12/2022? Ou os cidadãos em resistência civil que serão julgados nos dias 9, 10, e 16 de janeiro por exigirem uma ação climática compatível com a urgência?"

O grupo ameaça manter protestos não violentos enquanto o executivo de Élisabeth Borne mantiver o que denunciam como "inação criminosa" e apelam à adesão de mais cidadãos aos protestos por uma política mais forte pelo ambiente e contra o impacto das alterações climáticas.

Estes três protestos do movimento Dernière Rénovation aconteceram a poucos dias de ser votada no Parlamento o projeto-lei de aceleramento da produção de energias renováveis, já aprovada por grande maioria no Senado..

Os deputados ecologistas já anunciaram irem abster-se na terça-feira, por consideraram o projeto-lei EnR está aquém dos objetivos ambicionados.

"Os ativistas ambientais estão extremar os protestos por toda a Europa. Estão zangados com os políticos devido à lentidão na resposta à crise climática. O grupo Dernière Rénovation anunciou outros protestos como os desta semana. Exigem o isolamento térmico de todo o imobiliário em França até 2040, como é exigido por lei e pago pelos contribuintes", conclui Hans von der Brelie, o jornalista da Euronews que assistiu ao protesto desta sexta-feira em Paris.