Ambiente escolar é 'hostil' a alunos LGBTI na América Latina, diz Unesco

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Um membro da comunidade LGBTI venezuelana segura um cartaz que diz "Todos os direitos para todas as pessoas" durante um protesto no Mês do Orgulho na praça Altamira, em Caracas, em 12 de junho de 2021

Estudantes LGBTI são "vitimizados” e sofrem com “um ambiente escolar hostil” na América Latina, alertou nesta quarta-feira (23) um relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), que fez um apelo por uma maior inclusão e educação sobre a diversidade sexual.

Essa situação gera insegurança e dobra a probabilidade de abandono escolar por esses alunos, levando-os a sofrer altos graus de depressão, segundo estudo realizado na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru e Uruguai, publicado pela Unesco de sua sede regional em Santiago.

“Isso não afeta apenas sua dignidade, mas também seu desenvolvimento socioemocional e aprendizagem, e pode fazer com que as pessoas afetadas abandonem completamente a escola”, disse Javier González, diretor da Summa, um laboratório de pesquisa e inovação em educação que participou da pesquisa.

De acordo com o relatório, no Chile, quatro em cada cinco estudantes LGBTI não se sentem seguros, enquanto no México, 75% foram alvo de assédio verbal e insultos e 66% sofreram bullying.

Enquanto isso, na Colômbia, 15% dos alunos LGBTI sofreram violência por causa de sua orientação sexual e, no Peru, 17% foram vítimas de agressões físicas.

Manos Antoninis, diretor do Relatório de Monitoramento da Educação no Mundo da Unesco, argumenta que "as escolas devem ser inclusivas" para que "a sociedade seja inclusiva".

Ensinar que "certo tipo de pessoa não é aceitável" afetará o comportamento de meninas e meninos em relação a outros indivíduos, acrescentou.

Os jovens LGBTI também são afetados pela falta de diversidade entre os professores e pelas disposições adotadas em países como o Brasil, onde o governo se comprometeu a eliminar conteúdos LGBTI dos livros didáticos, ou no Paraguai, onde foi proibida a disseminação e o uso de materiais educativos sobre estudos de gênero.

“Devemos preparar o corpo docente para criar ambientes escolares mais inclusivos e para que os alunos se sintam seguros para denunciar caso sejam vítimas de assédio”, afirmou Claudia Uribe, diretora do escritório de educação da Unesco na América Latina.

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