Ambiguidade sobre casos de pedofilia e celibato derruba arcebispo de Paris; papa aceita demissão

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O papa Francisco aceitou a renúncia do arcebispo de Paris, monsenhor Michel Aupetit, anunciou nesta quinta-feira (2) o Vaticano. Em meio aos escândalos de pedofilia na Igreja Católica francesa, o líder eclesiástico tinha apresentado seu pedido de demissão no final de novembro, depois de ter sido acusado na imprensa de manter um relacionamento com uma mulher, o que Aupetit negou de maneira categórica.

A revista Le Point revelou a suposta relação do arcebispo em 25 de novembro. Na reportagem, a publicação afirmou que Aupetit teve "uma relação íntima e consentida com uma mulher" em 2012. A informação teria vazado em um e-mail que o religioso enviou por engano.

A diocese de Paris admitiu que o arcebispo se comportou de maneira "ambígua" com uma mulher naquele ano, mas negou que fosse um relacionamento amoroso ou sexual e assegurou que, naquela época, Aupetit procurou os superiores para informar sobre a situação.

Os bastidores da queda do arcebispo indicam, no entanto, que a insatisfação com o religioso era bem mais ampla do que o desrespeito ao celibato exigido dos padres. Mais do que os rumores sobre essa suposta relação, proibida pela Igreja Católica, ele perdeu o apoio de vigários e se tornou desafeto de famílias ultracatólicas de Paris, ao não condenar os abusos sexuais cometidos por padres contra 216.000 menores de idade, entre 1950 e 2020. Os casos foram revelados pela comissão independente de investigação coordenada por Jean-Marc Sauvé.


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