Ambulantes temem deixar parque da Água Branca após concessão em SP

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 30.08.2022 - Ambulantes no parque da Água Branca, na zona leste de São Paulo. (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 30.08.2022 - Ambulantes no parque da Água Branca, na zona leste de São Paulo. (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os ambulantes do parque da Água Branca, na região da Barra Funda (zona oeste de São Paulo), estão preocupados com o fim do contrato que os permite vender alimentos e bebidas em seus estandes.

Eles afirmam que a concessionária Novos Parques Urbanos, nova administradora do local a partir desta quinta-feira (1º), ainda não entrou em contato para regularizar a situação de trabalho quando a concessão do parque entrar em vigor.

Os vendedores, que pediram para não serem identificados, afirmam que a Sima (Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente) do estado de São Paulo, atual responsável pela manutenção dos vendedores no parque, enviou a eles uma carta no início de julho para comunicar o encerramento do contrato após o dia 31 de agosto.

Eles dizem ter sido informados de que a futura administradora, que também é a nova gestora dos parques Villa Lobos e Candido Portinari, marcaria uma conversa com eles. Porém, segundo os permissionários, esse contato não foi feito.

De acordo com os ambulantes, a concessionária se reuniu apenas com o Conselho do Parque da Água Branca, formado por moradores do bairro e frequentadores do espaço, por pressão da própria entidade, no último final de semana. Os representantes teriam dito que iriam procurar os vendedores para uma conversa na terça-feira (30), mas até o momento isso não aconteceu.

Ainda segundo os vendedores do parque, um representante da concessionária até foi ao parque na segunda (29), mas para conversar com o gestor da empresa que administra o estacionamento, cujo contrato se encerra na mesma data. A visita teria acontecido pela manhã, quando os trailers ainda não estavam abertos.

Já a Novos Parques Urbanos afirmou à Folha de S.Paulo que essas tratativas estão ocorrendo desde a última quinta (25) e que desde então os ambulantes tiveram um prazo de seis dias para se adequar às regras do edital de concessão.

"À medida que os vendedores apresentarem seus CNPJs/MEIs, e se adequarem às regras de vigilância sanitária, eles poderão ter novos contratos e, então, seguir comercializando alimentos e bebidas no parque", afirma a nova gestora.

"Agora, se todos terão tudo certo desde o primeiro dia, não temos como dar essa afirmativa, uma vez que depende deles também. Todos os esforços estão sendo feitos."

Os permissionários, que dizem trabalhar no parque há décadas, declararam não saber o que vão fazer se um novo contrato não for fechado porque o trabalho no parque é sua única fonte de renda.

Eles contam que já resistiram a diversas mudanças, relacionadas às trocas de governadores nos anos eleitorais e ao fechamento do parque nos primeiros anos da pandemia. Há também a tristeza pela ligação emocional com o parque e os clientes.

O QUE DIZEM O GOVERNO E A CONCESSIONÁRIA

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente informou que todos os permissionários que atuam com licença precária no parque da Água Branca, nos serviços de alimentos e bebidas, devem continuar após tratativas com a empresa responsável pelo gerenciamento operacional.

A empresa será contratada pela concessionária e os novos contratos devem ser firmados mediante CNPJ e adequação às regras da vigilância sanitária, conforme rege o Edital de Concessão, de acordo com a nota da pasta.

Ao ser questionada sobre o prazo de apenas seis dias para regularizar as condições dos trailers, o conglomerado respondeu que a formalização é um procedimento extremamente simples, que "pode ser realizado em questão de minutos", pelo portal do Governo Federal. Da mesma maneira, as medidas sanitárias seriam fáceis de serem cumpridas.