Ambulantes veem venda de bandeiras subir em atos pró-Bolsonaro e minguar nos da esquerda

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SÃO PAULO, SP, 01.08.2021 - PROTESTO-SP: Simpatizantes do presidente Jair Bolsonaro realizam ato favorável ao voto impresso auditável e contagem pública de votos, com concentração na avenida Paulista, região central de São Paulo, neste domingo (1). (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 01.08.2021 - PROTESTO-SP: Simpatizantes do presidente Jair Bolsonaro realizam ato favorável ao voto impresso auditável e contagem pública de votos, com concentração na avenida Paulista, região central de São Paulo, neste domingo (1). (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As seguidas motociatas do presidente Jair Bolsonaro e a mobilização de sua base em torno do voto impresso têm rendido frutos aos vendedores ambulantes.

Segundo vendedores consultados pela reportagem na avenida Paulista neste domingo (1º), a procura pela bandeira do Brasil, em especial, tem crescido entre os apoiadores.

Já nas manifestações da oposição que pedem o impeachment do presidente, fazem sucesso as bandeiras com "Fora Bolsonaro" ou com as cores do arco-íris, em referência à pauta LGBTQI+. Mas os vendedores relatam que essas vendas vêm diminuindo em relação aos primeiros atos contra Bolsonaro.

Um deles é Natalino, 55. "Bolsonaro, o melhor público que tem para vender é o dele." Ele afirma que os atos da esquerda em geral não são tão lucrativos. "Eu fui porque não tinha nada para fazer. Vendi, mas nada comparado com hoje [domingo]."

Já o ambulante Elvis Oliveira considera que suas vendas deste domingo foram equivalentes aos dois primeiros atos da oposição. Ele oferecia máscaras com bandeiras do Brasil e com o rosto de Bolsonaro. Nas manifestações da esquerda, o cardápio mudava para máscaras de "Fora Bolsonaro" e "Lula 2022".

Clayton, 38, conta que vende itens tanto em manifestações da esquerda quanto da direita. Neste domingo, diz ter vendido mais bandeiras do que nos maiores atos recentes da esquerda. Ele vende itens em manifestações desde os atos pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT), em 2015 e 2016. "Naquela época a gente vendia muito pixuleco, a bandeira do Brasil a gente tava começando ainda."

O vendedor Gerson, 50, conta que vendeu 80 bandeiras do Brasil neste domingo e que, se tivesse 150, teria vendido todas. Cada item custa R$ 30.

"Foi equilibrado com os outros da esquerda", conta." [Mas] no fim de semana passado não foi muito legal, não. Vendi só dez máscaras. Tinha muita gente, mas ninguém comprando", afirma, referindo-se ao mais recente ato pró-impeachment na avenida Paulista.

A maioria dos vendedores abordados pela reportagem contaram que acompanham as viagens do presidente pelo país, para vender seus itens, em especial as motociatas.

"Acompanho todas, a próxima agora é Florianópolis", conta Clayton. "A gente segue as caravanas".

Bolsonaro já realizou seis motociatas entre maio e julho, a última delas ocorreu neste sábado, em Presidente Prudente, no interior de São Paulo. As anteriores foram realizadas em Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Chapecó (SC) e Porto Alegre. O presidente já anunciou que a próxima será em Florianópolis, no dia 7 de agosto.

Nos atos pró-Bolsonaro é comum o uso de símbolos nacionais como a camisa da seleção e neste domingo não foi diferente. A maioria dos manifestantes trazia bandeiras do Brasil amarradas ao corpo, muitas vezes acompanhadas de camisas do Brasil ou de apoio a Bolsonaro.

As camisetas com os dizeres "Meu partido é o Brasil" era uma das mais populares e podia ser encontrada à venda junto aos inúmeros vendedores espalhados pelos quarteirão da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) até o Masp (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand).

Outras menos frequentes entre os apoiadores traziam bordões como "Bolsonaro presidente 2022" e "Nossa bandeira jamais será vermelha". Este último, ainda que não tão frequente no corpo, no discurso marcou presença. A frase foi entoada diversas vezes pelos manifestantes.

Muitos, sem máscara, os apoiadores do presidente traziam cartazes ecoando o discurso do mandatário e pedindo por voto auditável, contagem pública dos votos e auditoria do povo.

No último ato da oposição, em 24 de julho, um grupo com representantes de diferentes partidos buscou resgatar o uso das cores verde e amarela, que hoje são vistas como uma espécie de uniforme bolsonarista, inclusive com bandeiras e camisas da seleção.

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