Ameaça de rompimento com Freixo gera mais crítica ao PT que apoio no Twitter

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Postagens críticas à ameaça do diretório estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) no Rio de rever o apoio à candidatura de Marcelo Freixo (PSB) ao governo fluminense tiveram mais espaço no debate no Twitter sobre o assunto que o apoio à medida sinalizada pela sigla. É o que revela um levantamento da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (DAPP/FGV), com base em 24,9 mil tuítes.

O PT pressiona para que o PSB abra mão da disputa pelo Senado para manter a aliança com Freixo. Os petistas querem que o candidato ao Senado da chapa seja o presidente da Assembleia Legislativa, André Ceciliano (PT).

No Twitter, o grupo que saiu em defesa do rompimento com Freixo, formado principalmente por lideranças do PT do Rio de Janeiro e influenciadores ligados ao partido, representou 25% dos perfis no debate e 30% das interações (curtidas, comentários e compartilhamentos). Entre as principais contas desse segmento estão a do presidente estadual do PT Rio, João Maurício, e a de Alberto Cantalice, membro do Diretório Nacional do PT.

Já os perfis no campo da esquerda críticos à postura da legenda representaram juntos 43% do total e 47% das interações no tema. Neste grupo estão tanto parlamentares não petistas, como a deputada federal Talíria Petrone (PSOL), quanto influenciadores digitais à esquerda, como o youtuber Felipe Neto.

Nesse caso, os usuários se dividiram sobre o tom adotado em relação à candidatura de André Ceciliano. Uma parte disse que não o apoiará e apontou ligação do deputado estadual com o governador Cláudio Castro (PL), a quem Marcelo Freixo faz oposição. Outra parte mirou o fato de Molon ter mais chances de vencer a disputa pelo Senado por aparecer numericamente à frente nas pesquisas.

A conta sobre o volume de críticas ao PT também inclui, ainda que com menor participação, apoiadores do pré-candidato à Presidência pelo PDT Ciro Gomes. Esses perfis entraram na discussão com críticas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acusado por eles de manipular partidos aliados. A direita também usou a crise entre PT e PSB como forma de ironizar a esquerda, com postagens citando desorientação das lideranças do campo. Esse grupo representou 8,09% dos perfis e 7,13% das interações sobre o tema.

Diretor da DAPP/FGV, Marco Aurelio Ruediger chama atenção para o fato de que a crítica partiu principalmente de grupos não petistas que se dispõem a votar em Lula para derrotar o presidente Jair Bolsonaro e que são fundamentais para o PT ampliar seu impacto digital.

— A decisão do diretório estadual gerou um incômodo. Há a percepção de um descolamento com o projeto nacional do PT. O partido busca mostrar que tem alargamento, que tem um projeto político que não é apenas do PT, mas nacional, enquanto no Rio há uma comunicação contrária. É um problema simbólico. As redes são simbólicas, emocionais — avalia.

Os grupos no debate

Esquerda alinhada ao PT ‒ 24,99% dos perfis | 30,23% das interações - Grupo formado majoritariamente por lideranças do PT do Rio de Janeiro e influenciadores ligados ao partido. Defenderam a decisão do PT de romper com o PSB, atribuindo a Alessandro Molon a responsabilidade por prejudicar a candidatura de Marcelo Freixo a governador e desfazer o acordo com o PT.

Esquerda não alinhada ao PT ‒ 15,08% dos perfis | 17,36% das interações - Formado por influenciadores e lideranças políticas de esquerda não alinhadas ao petismo. O grupo é crítico à decisão de não apoiar Freixo e destaca que não apoiará André Ceciliano

Influenciadores progressistas ‒ 13,25% dos perfis | 13,72% das interações - O grupo formado por influenciadores e jornalistas progressistas também critica o PT-RJ por retirar apoio à candidatura de Freixo, defendendo que Alessandro Molon tem mais chances de vencer a disputa pelo Senado

Centro-esquerda ‒ 9,14% dos perfis | 9,94% das interações - Conjunto formado por apoiadores da candidatura de Ciro Gomes à Presidência. Acusam Lula de manipular partidos aliados de modo egoísta, sem se preocupar com o bem do país ou com a derrota de Jair Bolsonaro.

Direita ‒ 8,09% dos perfis | 7,13% das interações - Base formada por influenciadores alinhados ao governo federal. Em geral, a divergência foi tratada com ironia, com acusações sobre suposta desorientação por parte das lideranças do campo.

Comunicadores de oposição ‒ 5,61% dos perfis | 5,58% das interações - Grupo formado por jornalistas, acadêmicos e influenciadores digitais de oposição a Bolsonaro. A maior parte dos tuítes critica a decisão do PT Rio de romper o apoio à candidatura de Marcelo Freixo, acusando o partido de alimentar uma divergência “menor”, em vez de se unir com outros partidos visando derrotar o governo Bolsonaro.

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