Ameaçada de morte por decretar lockdown, prefeita de Juiz de Fora diz: ‘Não é admissível querer eliminar seu adversário’

Gabriel Melloni
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Margarida Salomão (PT), prefeita de Juiz de Fora - Foto: Assessoria
Margarida Salomão (PT), prefeita de Juiz de Fora - Foto: Assessoria

Prefeita de Juiz de Fora-MG, Margarida Salomão (PT) defendeu a “intolerância com os intolerantes” após ser ameaçada de morte por decretar lockdown na cidade essa semana. A petista encaminhou uma notícia-crime e prestou depoimento à Polícia Civil.

“Eu sou defensora do diálogo, mas sempre serei intolerante com os intolerantes. Não é admissível que a divergência se expresse pela violência, que alguém queira eliminar o seu adversário”, declarou em entrevista ao Yahoo!.

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Com a escalada da Covid-19 em Juiz de Fora, Salomão anunciou no último domingo o fechamento por uma semana de todas as atividades consideradas não essenciais. A decisão não agradou a todos, e a ameaça veio de um grupo de WhatsApp sobre o comércio local.

Um comerciário incitou os demais membros a “pegar em armas” para “cancelar o CPF" da prefeita. “É uma postura absolutamente incondizente com a democracia e com a forma como se faz política em Minas Gerais”, considerou Salomão.

O responsável pela ameaça, que não teve a identidade revelada, já prestou esclarecimentos à Polícia Civil, que instaurou inquérito para apurar o ocorrido. A prefeita admitiu indignação com o episódio, por mais que considere a discordância sobre o lockdown “algo natural na política”.

“Em Juiz de Fora, há um grupo que se organiza para protestar contra as medidas. Que fiz? Conversei com eles, ouvi suas ponderações, que são legítimas no campo da expressão”, contou.

A decisão de enrijecer as medidas de isolamento veio depois que a ocupação dos leitos da UTI chegou a 100% em Juiz de Fora. A meta, com o lockdown e a abertura de novos leitos, é voltar a um número próximo dos 65% registrados há pouco mais de 15 dias.

A situação na cidade mineira não é diferente da encontrada em tantas outras pelo país desde que a Covid-19 atingiu o pico em março, quebrando recorde de internações e mortes a cada dia. Por isso, o governo de Jair Bolsonaro não escapou das críticas de Salomão.

“Completamos um ano de pandemia. Tempo suficiente para dizer, repetindo Lula, que não há governo. O que há é um grupo de pessoas absolutamente despreparadas ocupando a liderança do país”, apontou.