Ameaçada e chamada de “negra porca” por vizinha, mulher relata medo: “Quero voltar a ter paz”

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Mulher voltou a escrever ofensas racistas em um cartaz - Foto: Arquivo Pessoal
Mulher voltou a escrever ofensas racistas em um cartaz - Foto: Arquivo Pessoal
  • Mulher admitiu a sensação de medo no próprio prédio após ser ofendida e ameaçada

  • Nutricionista tem colado cartazes com ataques racistas e já atirou objetos em vizinhos

  • Ela chegou a ser presa na última semana, mas foi liberada após o pagamento de fiança

A mulher alvo de diversos ataques racistas feitos por uma nutricionista em um condomínio em Santos-SP admitiu estar com medo. Em entrevista ao G1, ela afirmou que não sente-se segura no prédio em que vive e cobrou punição à vizinha: “Quero voltar a ter minha paz”.

As mais recentes ofensas da nutricionista de 54 anos, que não teve a identidade revelada, foram divulgadas na última segunda-feira. Ela colou dois cartazes na porta de seu apartamento atacando a vizinha.

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A negra é porca e vadia! Caluniadora. Expõe a vida de todos os condôminos com posses. Prevalece-se porque vive em um país onde direitos humanos favorecem bandidos”, escreveu em meio a outras ofensas.

Dias antes, a nutricionista já havia utilizado o mesmo expediente para ofender pessoas negras. Na ocasião, as chamou de “espírito imundo” e “escória da sociedade”.

A vizinha ofendida pela mulher foi procurada pelo G1 e, anonimamente, admitiu a sensação de insegurança gerada pelo comportamento da nutricionista.

Eu não me sinto mais segura no lugar onde moro. Eu sei que não tenho que sentir vergonha, porque não fiz nada errado. Mas, infelizmente, estou sentindo uma vergonha absurda. Eu tenho medo até de ir na área comum do prédio jogar o lixo e de ouvir mais alguma coisa racista, ou até ser agredida fisicamente", declarou.

Nutricionista se referiu a negros como pessoas de
Nutricionista se referiu a negros como pessoas de "espíritos imundos" em Santos (SP) - Foto: Arquivo Pessoal

Na última quarta-feira, esta mesma vizinha foi ameaçada de agressão pela nutricionista, que chegou a ser presa em flagrante pelo episódio. "Ela danificou a minha porta. Tentou, ainda, me bater com uma barra (de ferro), e eu tentando me defender. Aí, consegui pegar a barra da mão dela. Ela saiu correndo, usei a barra para segurar a maçaneta da porta, gritamos por ajuda e conseguimos acionar a polícia a tempo de eles chegarem e fazerem o flagrante."

Na ocasião, a mulher foi liberada após o pagamento de fiança. Ela, então, colou cartazes com ofensas racistas nas portas de alguns apartamentos e em áreas comuns do prédio. Depoimentos de moradores dão conta de que a nutricionista também já atirou garrafas nos corredores e ameaçou outras pessoas de morte.

"A partir do momento em que ela escreveu aquelas coisas horríveis na porta da minha casa, é muito desrespeito. Eu sempre paguei minhas contas, respeitei as pessoas. Então, não dou direito de uma pessoa vir fazer isso comigo. Me pergunto se ela vai continuar sem nenhuma punição, morando no mesmo lugar que eu. Quero voltar a ter minha paz", disse a vizinha.

Zelador também já foi ofendido

Zelador do condomínio, Arilton Souza de Carvalho contou ao site que este comportamento da moradora é antigo e que já sofreu com as ofensas racistas da mesma. Ele também chegou a registrar boletim de ocorrência contra a nutricionista no fim do ano passado, após ser chamado de “negro”, “marginal” e “preto encardido”.

Em março deste ano, a mulher voltou a ofendê-lo, enquanto o funcionário retirava o lixo do condomínio. "Nesse dia, após me ofender, ela subiu até o apartamento dela, pegou uma garrafa e voltou para ver onde eu estava. Como a moça da portaria disse que não sabia onde eu estava, ela (nutricionista) a xingou e jogou a garrafa no vidro de onde fica a portaria. Foi registrado outro boletim contra ela na ocasião, por injúria e lesão corporal", contou.

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