Americana Carolee Schneemann leva Leão de Ouro da Bienal de Veneza

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A artista conceitual norte-americana Carolee Schneemann irá receber o Leão de Ouro, prêmio máximo da Bienal de Veneza, anunciou nesta sexta (14) o júri da mostra italiana.

A francesa Christine Macel, curadora da mostra neste ano, afirmou que Schneemann foi "pioneira da performance feminista no início dos anos 1960. Ela usou seu próprio corpo como material predominante de sua arte. Ao fazê-lo, ela situa as mulheres como criadoras e como parte ativa da própria criação."

Nascida na Pensilvânia em 1939, a artista mora atualmente em Hudson Valley, em Nova York. Schneemann começou sua carreira nos anos 1950, mas foi a partir dos anos 1960, quando desenvolveu trabalhos com filmes experimentais, música, dança, poesia e performance, que ficou conhecida.

"Meat Joy" (1964) e "Interior Scroll" (1975) são consideradas obras-chave da arte de performance feminista.

"Seu estilo é direto, sexual, libertador e autobiográfico. Ela defende a importância do prazer sensual das mulheres e examina as possibilidades de emancipação política e pessoal das convenções sociais e estéticas predominantes", afirmou Macel. "Schneemann reescreve sua história pessoal da arte, recusando a ideia de uma 'história' narrada exclusivamente do ponto de vista masculino."

Desde 1986, a Bienal de Veneza escolhe um artista para premiar pelo conjunto da obra, um artista já consagrado que participa da mostra com uma obra excepcional, um jovem artista em ascensão no circuito também na mostra e um pavilhão nacional.

O prêmio será entregue no dia 13 de maio, data em que abre a 57ª edição da mostra.

BRASILEIROS

Quatro artistas brasileiros, Ayrson Heráclito, Erika Verzutti, Ernesto Neto e Paulo Bruscky, estarão na mostra principal desta edição da Bienal de Veneza. Eles foram escalados por Macel.

Bruscky é um dos mais relevantes artistas da história da performance e da arte conceitual no país, enquanto Neto é outro nome com grande trânsito internacional -ele já representou o Brasil na edição de 2001 do evento italiano, considerado o mais tradicional do mundo.