Americana infectada com coronavírus passou cinco dias sem ser testada

A mulher considerada o primeiro caso de pessoa infectada nos Estados Unidos pelo novo coronavírus contagiou-se por transmissão comunitária e deu entrada no Centro Médico Davis, da Universidade da Califórnia em 19 de fevereiro de 2020

A equipe médica que trata de uma mulher na Califórnia que se tornou o primeiro caso nos Estados Unidos do novo coronavírus de origem desconhecida passaram cinco dias sem conseguir submetê-la a exames para detecção do vírus porque ela não tinha viajado para regiões afetadas pela doença, informou um legislador local nesta quinta-feira (27).

A revelação traz questionamentos sobre a existência de outros casos similares e vem à tona em um momento em que o estado do oeste do país afirma estar monitorando cerca de 8.400 pessoas para possíveis infecções.

A mulher deu entrada no Centro Médico Davis, da Universidade da Califórnia, em 19 de fevereiro, no mesmo dia que seus médicos pediram para submeter uma amostra para um teste de coronavírus a autoridades federais, informou o representante Ami Bera a uma audiência no Congresso.

Mas foi apenas em 23 de fevereiro, depois que seu estado de saúde piorou, que houve "uma insistência e uma forte pressão e a paciente finalmente foi testada", acrescentou Bera, que no passado trabalhou como médico no mesmo hospital. Ele disse ter sabido dos detalhes do caso com ex-colegas.

Passaram três dias para que os resultados positivos voltassem e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) declarassem na quarta-feira o primeiro caso suspeito de transmissão comunitária, o que representa um desafio a mais na luta contra a disseminação do vírus nos Estados Unidos.

Bera questionou o diretor dos CDC, Robert Redfield, segundo quem as diretrizes de exames da agência foram atualizadas depois deste caso.

"A recomendação deveria ser quando um clínico ou agente público de saúde suspeitar de coronavírus ser capaz de fazer um teste para o coronavírus, essa é a diretriz que saiu hoje", disse.

Falando em uma coletiva mais cedo, o governador da Califórnia, Gavin Newsom, disse que pessoas que chegarem de áreas afetadas devem ser monitoradas e tentou reassegurar o público de que o risco de contrair a doença permanece baixo.

Newsom disse à imprensa que sua equipe trabalha com os CDC para que a produção de testes mais apurados sejam sua prioridade.

Ele disse que o estado tem apenas 200 kits de testagem e solicitou mais ao governo federal. Redfield disse mais tarde ao Congresso que novos testes estão a caminho.

Newsom disse que 33 pessoas testaram positivo para o vírus na Califórnia e que cinco delas deixaram posteriormente o estado.

No total, os Estados Unidos registrou 61 casos - incluindo 46 que foram repatriados.

Mais de 80.000 pessoas foram infectadas pelo novo coronavírus em todo o mundo e 2.800 morreram, a maioria na China, onde o vírus surgiu no final do ano passado.