Americanas confirma ao mercado dívida de R$ 40 bi neste sábado

Na última quarta-feira, o executivo Sergio Rial, renunciou a residência da Lojas Americanas nove dias após ter assumido o cargo ao identificar a um rombo de ao menos R$ 20 bilhões no balanço contábil da empresa - Foto: REUTERS/Sergio Moraes
Na última quarta-feira, o executivo Sergio Rial, renunciou a residência da Lojas Americanas nove dias após ter assumido o cargo ao identificar a um rombo de ao menos R$ 20 bilhões no balanço contábil da empresa - Foto: REUTERS/Sergio Moraes

A Americanas publicou hoje fato relevante ao mercado em que confirma que as “inconsistências contábeis” de R$ 20 bilhões podem levar a empresa a um endividamento de R$ 40 bilhões, conforme antecipou o colunista do Globo, Lauro Jardim.

De acordo com a varejista, os reajustes nos lançamentos da companhia poderão impactar nos resultados finais divulgados nos respectivos exercícios anteriores, com “alteração do grau de endividamento da empresa e/ou volume de capital de giro, implicando, acarretando o vencimento antecipado e imediato de dívidas em montante aproximado de R$ 40 bilhões”.

De acordo com a Americanas, o BTG Pactual já notificou a companhia para declarar o vencimento antecipado de mais de R$ 1,2 bilhão.

Entenda o que aconteceu:

Na última quarta-feira, o executivo Sergio Rial, renunciou a residência da Americanas nove dias após ter assumido o cargo ao identificar a um rombo de ao menos R$ 20 bilhões no balanço contábil da empresa, conforme deu em primeira mão a coluna do Globo Capital.

O problema levará a companhia a precisar de capital, uma vez que seu patrimônio líquido de pelo menos os últimos dois anos precisará ser recalculado, disse Rial.

O escândalo de uma das maiores varejistas do país que gera mais de 100 mil empregos, entre diretos e indiretos e tem 3.604 lojas físicas, tem várias camadas que, aos poucos vão sendo descascadas.

Além do valor do rombo, que é o dobro do que havia se calculado inicialmente, um outro ponto intriga o mercado: diretores da companhia venderam mais de R$ 210 milhões em ações da empresa há alguns meses. Segundo economistas, a falta de clareza sobre este fato causa estranheza no mercado e suspeitas se alguns membros já estavam cientes das "inconsistências" e tiveram acesso à informações privilegiadas.

O buraco em que a companhia se meteu levou a um tombo de quase 80% nas ações nesta semana e encolheu até mesmo a fortuna do homem mais ricos do Brasil e um dos sócios, Jorge Paulo Lemann. Sua fortuna de US$ 15,4 bilhões teve uma baixa de US$ 329 milhões.

A Americanas também teve um tombo de quase 80% nas ações e a dois dias do início do BBB 23, onde tem uma das três principais cotas de publicidade, recuou. Estima que o investimento dela para participar do programa mais popular do país é de R$ 105 milhões. Diante da crise, saiu de cena e em seu lugar entrou o Mercado Livre.

Outro ponto que tem levantado inúmeros questionamentos é como ficam a situação dos consumidores, compradores, parceiros e funcionários. A Americanas tem enviado comunicados botando panos quentes, mas seus números vão na contramão e no mercado vê um pedido de recuperação judicial cada vez mais próximo.