Americanas: quais os futuros prováveis da varejista?

Americanas: futuro da empresa ainda é incerto, mas recuperação judicial parece ser a saída mais provável
Americanas: futuro da empresa ainda é incerto, mas recuperação judicial parece ser a saída mais provável
  • Analistas da XP, Morgan Stanley e JPMorgan Chase veem uma recuperação judicial no futuro da empresa;

  • Aporte de capital na Americanas, por parte de bancos ou dos investidores de referência não é descartado;

  • Recuperação judicial verá a venda de ativos e a saída da Americanas da bolsa de valores.

O anúncio de uma dívida de R$ 40 bilhões de Americanas, e o retorno da queda de suas ações na bolsa de valores nesta segunda-feira (16), faz com que muitas pessoas especulem o que irá acontecer com a gigante brasileira do varejo. Para os analistas financeiros, alguns cenários são prováveis; confira.

Aporte de capital

Uma análise da XP Investimentos considerou duas possíveis saídas para o fim da crise da Americanas. A primeira é uma injeção de capital na empresa por novos investidores, como grandes bancos.

De acordo com estimativas do relatório da gestora de investimentos, o volume necessário de recursos necessário para trazer conforto aos credores da varejista seria de R$ 12 bilhões a R$ 21 bilhões. O valor exato ainda não pode ser precisado, pois depende do nível de alavancagem e da margem de Ebitda, informações que ainda não são claras.

Recuperação judicial

O segundo cenário, que vê como principal saída a recuperação judicial, foi considerado o mais provável pela XP. Uma espécie de "falência mais suave", a recuperação assegura o pagamento dos credores, enquanto tenta salvar as operações da empresa em dificuldades financeiras, pelo menos enquanto o processo ainda está ocorrendo. Para a XP, no entanto, o pedido de recuperação judicial trará novas dificuldades para a Americanas, que deverá sair da bolsa de valores, segundo exigências da B3, e vender ativos de seu portfólio.

O cenário de recuperação judicial também foi descrito como o mais provável de acontecer segundo a gestora de capital JPMorgan Chase. Em seu relatório, os analistas do JPMorgan avaliaram que os investidores de referência da empresa, que possuem 29,93% do capital, estariam dispostos a injetar R$ 6 bilhões para aumentar o valor da empresa. Os bancos, no entanto, pedem por algo na faixa dos R$ 10 bilhões a R$ 15 bilhões.

Analistas do banco de investimentos Morgan Stanley comentaram em seu relatório que a queda da empresa irá acelerar o crescimento das demais varejistas brasileiras, especialmente no setor de e-commerce. Destes, o Mercado Livre deverá sair como campeão, capturando a maior fatia do mercado. Magazine Luiza e Via Varejo também devem se beneficiar com o processo de recuperação judicial da Americanas.