Amiga de Jair Renan que participou dos atos terroristas em Brasília anuncia afastamento das redes

Identificada entre os golpistas que participaram dos atos terroristas em Brasília no último domingo, Karol Eller anunciou neste sábado que se afastará das redes sociais. Amiga próxima de Jair Renan, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ela era servidora da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), mas foi exonerada no dia seguinte das manifestações que culminaram na depredação das sedes dos Três Poderes. No Instagram, Karol Eller fez transmissões ao vivo, enquanto participava da invasão ao Congresso Nacional ao lado de outros bolsonaristas.

Em carta aberta divulgada no Instagram, ela informou amigos e seguidores que se afastará momentaneamente das redes sociais. "Fiquem aqui comigo e até breve", escreveu. A postagem foi curtida pelo deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) e pelo sobrinho de Bolsonaro que invadiu o Congresso Nacional, Leo Índio.

No próprio domingo, a bolsonarista se defendeu das acusações: "Sou contra qualquer tipo de manifestação que viole a constituição e o Estado Democrático de Direito" e garantiu que, no momento em que o ato se tornou violento, ela teria se retirado.

— Estão quebrando tudo lá, perderam o controle da situação. Está tendo quebradeiras no Congresso e agora no STF: não compactuo com isso, não faço parte, não contem comigo — disse em vídeo.

Flávia Caroline Andrade Eller serviu na EBC do final de 2019 até a semana passada. Ela tinha um cargo de confiança com salário de R$ 10,7 mil. Além de ex-servidora, a bolsonarista é youtuber e já apareceu em cliques ao lado de Jair Renan em postagens no Palácio do Alvorada e em carros oficiais da Presidência. No passado, também arrancou elogios da ex-ministra e senadora eleita Damares Alves (Republicanos).

"Eu sigo ela, eu me inspiro nela, é uma mulher guerreira e valente", disse a ex-ministra sobre Karol Eller. A youtuber devolveu a gentileza: "Eu que me inspiro na senhora, o Brasil inteiro também se inspira. Parabéns pelo trabalho". Na legenda, a youtuber escreveu: "Uai, a ministra não era homofóbica?". Homossexual assumida, disse, no passado, que não vê diferença entre homofobia e preconceito.

Em 2019, prestou depoimento após ter sido agredida no Rio de Janeiro. O episódio foi associado pelo ex-vereador Gabriel Monteiro, à época, a um ataque homofóbico. " "Ela teve o seu rosto desfigurado, apenas por um motivo: ser homossexual", afirmou Monteiro, que teve seu mandato cassado por suspeita de assédio sexual, forjar vídeos na internet e de estupro de vulnerável.