Amigo do filho de Bolsonaro, secretário de Justiça acumula polêmicas: interferência em extradição de blogueiro e uso de jatinho

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BRASÍLIA - Amigo dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, Vicente Santini já passou por cargos de prestígio da máquina pública federal - e protagonizou polêmicas de proporções relevantes. A mais recente delas ocorreu nesta semana e envolve um outro personagem ligado ao clã Bolsonaro, o blogueiro Allan dos Santos, investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de disseminação de notícias falsas e envolvimento em atos antidemocráticos.

Desde agosto deste ano, Santini comanda a Secretaria Nacional de Justiça. Estratégico, o órgão tem sob seu guarda-chuva um braço essencial para o sucesso de investigações criminais e de lavagem de dinheiro com ramificações mundo afora: o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional (DRCI). Foi justamente no DRCI onde se passou um episódio de ingerência e desgaste para governo. Ele começa com uma determinação do Supremo para que se desse início à extradição de Allan dos Santos, que está nos Estados Unidos.

A então diretora do departamento, a delegada de Polícia Federal Silvia Amélia Fonseca de Oliveira, acolheu a determinação e adotou os procedimentos-padrão para dar andamento ao processo. Apesar de estar apenas cumprindo uma determinação judicial, a postura da delegada irritou seus superiores do Ministério da Justiça, como mostrou a colunista Malu Gaspar. Entre eles, Vicente Santini, que resolveu agir.

Silvia Oliveira foi demitida do comando do DRCI, em portaria publicada na última quarta-feira. Como mostrou o site "Brazilian Report", depois do episódio, Santini expediu um ofício interno para estabelecer que, a partir de então, os processos de extradição teriam que ser submetidos a ele, o que não ocorria. Allan dos Santos é um nome caro ao Palácio do Planalto.

Aliado do presidente Bolsonaro, o blogueiro é investigado também no inquérito que identificou a atuação de uma milícia digital empenhada em trabalhar contra a democracia. A Polícia Federal apontou que ele continua atacando as instituições mesmo vivendo nos Estados Unidos e por isso pediu sua extradição, que foi autorizada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes.

Santini é próximo, sobretudo, ao deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), um dos filhos do presidente, mas também tem boa relação com os demais herdeiros, o que lhe rendeu prestígio no governo.

Vicente Santini já esteve no centro de outra saia-justa no ano passado, que lhe custou o emprego de secretário-adjunto da Casa Civil, posto que ele ocupava naquela ocasião. Em janeiro de 2020, durante uma viagem internacional, ele pegou um jatinho da Força Aérea Brasileira (FAB) para viajar da Suíça à Índia acompanhado de apenas duas pessoas. Ao saber do caso, Bolsonaro se irritou e cobrou explicações sobre por que ele não foi de voos comercial, opção menos custosa ao Erário.

Na época, antes de a exoneração ser oficializada, a assessoria de imprensa da Casa Civil tentou negar que tivesse havido polêmica e disse que “a utilização das aeronaves da FAB segue rígidos critérios, sempre observados por esta pasta”. “O secretário-executivo Vicente Santini (ministro interino da Casa Civil) viajou a Davos e Nova Délhi a trabalho e a pedido do presidente”, disse em nota.

Posteriormente, em fevereiro de 2021, ele foi nomeado para a função de secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência, mantendo-se, portanto, no Palácio do Planalto. Ele deixou o posto em julho, quando assumiu a atual cadeira no Ministério da Justiça, função na qual está atualmente.

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