Amigos de holandesa desaparecida no Rio apelam por notícias que revelem seu paradeiro

Amigos da holandesa Britt Blom, que está desaparecida desde o dia 10 de dezembro, fazem apelos nas redes sociais por informações que revelem o paradeiro da mulher, que nao deu mais mais notícias depois que saiu de casa, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. O caso repercutiu também na imprensa holandesa. O De Telegraaf, maior jornal do país noticiou a suspeita de que o desaparecimento pode ter a ver com o envolvimento da vítima com traficantes.

Amiga de infância de Britt, a também holandesa Michelle Ruisseau esteve no Brasil há cinco anos para visitá-la. Ambas estudaram juntas desde muito jovens e possuem diversos registros fotográficos juntas. Ela descreve a amiga como uma pessoa divertida e com forte personalidade e espera ter notícias de que Britt esteja bem.

- Eu só tenho boas lembranças. Ela é muito divertida, personalidade forte. Nos conhecemos desde a escola, estudamos juntas dos 8 aos 12 anos na época. Espero que ela esteja bem. Ela é uma garota especial e não merece isso - disse Michelle.

Em 2017, as duas se reencontraram quando Michelle foi convidada para conhecer o Brasil e veio com o namorado. Na época, apesar de morar em São Paulo, Britt trouxe os amigos para conheceram o Rio, em especial as praias da cidade. Sofrendo com o caso, Michelle fez um apelo e tenta criar uma rede de informações com outros estrangeiros que morem pela cidade.

- Querida Britt, em 2017 você fez nossa viagem pelo Brasil ainda mais especial. Você nos guiou para os lugares mais legais, nos levou para praticar stand-up, conhecemos a praia de Copacabana. Espero que apareças novamente. Por favor, compartilhem e ajudem a achar esta mulher especial que construiu a sua vida há mais de 10 anos no Brasil.

Morando há 14 anos no Brasil, Britt Blom se mudou para o Rio de Janeiro no início deste ano em meio a sete processos aos quais respondia na Justiça de São Paulo. Em um deles, ela foi condenada por homicídio culposo ao se envolver em um acidente que resultou na morte do motociclista Claudio Theodoro da Silva, ocorrido em 2011. A holandesa bateu com o carro na traseira da moto da vítima e admitiu para as autoridades que estava dirigindo embriagada.

Em outro processo, no qual a família da vítima pedia indenização por danos morais, Britt sofreu penhora dos bens, mas se mudou antes que a mesma fosse executada. Ela foi defendida pela advogada Elaine Menezes da Costa, que não sabia que a cliente possuía uma condenação prévia por homicídio, assim como não foi avisada da mudança e não teve mais notícias da holandesa ao longo deste ano.

- Ela não me contratou, eu fui nomeada pelo estado para defendê-la. Não sabia dessa condenação prévia. Não tive mais contato, nem fui informada de mudança e a informação é que não foi encontrada - afirmou.

As outras cinco ações tendo Britt como réu são do Fórum de Nova Odessa, cidade do interior de São Paulo, vizinha a Campinas. Dessas, quatro são da Vara de Execuções Fiscais e relativas a valores devidos do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), enquanto a última diz respeito a penhora de bens, mas que não foi executada pelo fato da holandesa ter se mudado para o Rio. Em agosto deste ano, o o Oficial de Justiça responsável pela intimação escreveu: "(...) deixei de proceder a penhora sobre o veículo indicado, por não o encontrar; deixei de intimar a requerida Britt Blom Inacio por não a encontrar residindo no referido endereço; a atual moradora, Sra. Gislaine, informou que a requerida se mudou para o Estado do Rio de Janeiro, porém não soube informar o endereço".

Polícia investiga sumiço

A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) segue investigando o desaparecimento de Britt. Depois da apreensão de documentos pessoais e materiais eletrônicos na casa dela, nesta semana estão sendo realizadas novas diligências sobre o caso, que é mantido em sigilo.

Em depoimento prestado na delegacia especializada na última semana, um amigo disse que Britt Blom saiu de casa para resolver um assunto de trabalho e desde então não respondeu mais às tentativas de contato de diversos amigos.

Britt, de 36 anos, nasceu em Amsterdã, na Holanda, e mora no Brasil há mais de 14 anos. Quando chegou ao país, ela morou por um período em São Paulo, onde teve uma filha de 13 anos, que mora com o pai naquela cidade, até que se mudou para o Rio de Janeiro.

Assim que chegou por aqui, morou em Copacabana, mas, segundo um amigo, mudou-se para a Baixada, pois os preços de aluguel seriam mais baixos. Ela trabalhava como tradutora de textos e complementava renda com aluguel de imóveis que possuía na capital paulista.

Antes de a DHBF assumir o caso, um amigo chegou a fazer um registro de ocorrência de desaparecimento pela internet, mas a Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (Deat) informou que ele estava incompleto.