Amigos de Milton Nascimento contam histórias vividas com ele em homenagem ao seus 78 anos

Marcelle Carvalho
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Milton Nascimento está em festa. Nesta segunda-feira, o músico completa 78 anos, e carinho é o que não falta para esse importante nome da música popular brasileira. Para homenageá-lo, o Sessão Extra reuniu histórias de amigos e parceiros de Bituca, seu apelido de infância. Eles contam os momentos mais marcantes que tiveram com o aniversariante.

— Já era importante desde menino, tinha um diferencial tanto no gosto musical quanto na qualidade da voz — elogia o músico Wagner Tiso, parceiro de Milton, desde quado os dois eram crianças em Três Pontas (MG).

A cantora Simone além de relembrar aqui a situação mais importante que viveu com o artista, vai reverenciá-lo numa live, amanhã, às 18h, transmitida em seu Instagram, Facebook e YouTube. E todos os vivas ao Bituca!

Acordeon e sanfoninha nas varandas - Wagner Tiso, músico

“A gente morava na mesma rua, em Três Pontas (MG), na década de 50. Toda vez que eu ia para o grupo escolar, passava em frente ao alpendre (espécie de sacada) dele. Milton estava lá, na escadinha, sempre com a gaita entre os dois joelhos e a sanfoninha embaixo das pernas. A gente foi se cruzando, eu passei a tocar acordeon na minha varanda... Milton, na dele, tocava sanfoninha. Ficamos mais próximos, eu era sócio do clube da cidade e ele não. Então, quando tinha orquestra de fora, a gente ficava no banco em frente ao clube. Se surgia um som diferente, ele falava: “Sobe lá e vê que instrumento é esse”. Ficamos amigos para sempre.”

Incidente com sanduíche e risadas - Criolo, cantor

“Falar de Milton é sempre algo especial, porque a gente abre um sorriso. Estava meio perdido durante o ensaio no 23º Prêmio da Música Brasileira, em 2012, quando Ney Matogrosso me chamou para aguardar a passagem de som no camarim que ele dividia com um amigo. Quando chego lá, o amigo era Milton. Fiquei um tanto paralisado. Toninho Horta entrou igual a um relâmpago, pegou um lanche, que caiu na minha calça, pediu desculpa, tocou uma coisa linda no piano e foi embora. Milton deu risada e disse: “ Esses são meus amigos maravilhosos”. Assim, trocamos as primeira palavras e nunca mais paramos de nos amar.”

Um filho para chamar de nosso - Gal Costa, cantora

“Milton Nascimento é um grande amigo de longa data, um compositor extraordinário. Tem uma obra belíssima, de uma riqueza musical impressionante. Ele é um grande cantor e músico também. Como nos conhecemos há muito tempo, nós temos um brincadeira desde sempre: eu me lembro que, quando éramos bem jovens, eu propus a ele que tivéssemos um filho, para juntarmos o talento das nossas vozes, vozes brilhantes. Brinco com ele até hoje. Quer dizer, hoje a gente diz que perdeu tempo. Mas essa é a brincadeira de ter um filho, nosso filho.”

‘Se Deus cantasse, teria a voz do Milton’ - Simone, cantora

“Milton sempre foi uma grande referência na minha vida, como artista, como profissional, mas também como amigo. É como a Elis Regina dizia: ‘Se Deus cantasse, teria a voz do Milton’. E Deus deu a ele essa voz incrível, né? O que é inesquecível para mim foi o dia em que ele veio ao estúdio onde eu estava gravando, aqui no Rio de Janeiro: eu tinha apenas 24 anos! Eu batizei essa live (de amanhã, em homenagem a Milton) de ‘Ao mestre com amor’, porque fala desse amor que eu tenho pelo Bituca. Vou cantar coisas que ele fez para mim, músicas que conheci através dele, algumas canções que ele gravou.” Simone, cantora

Um dos melhores riscos de ser músico - Samuel Rosa, músico

“Da minha mais remota lembrança, ecoa a voz poderosa de Milton, que se espalhava pelo apartamento onde vivia com meus pais, no início da década de 1970. Resolvi tocar um instrumento e vislumbrar a possibilidade de ser músico, após ser sabatinado com toda a discografia dos Beatles e do Clube da Esquina. Brinco que, ao aprender a tocar, todo mundo deveria ser alertado sobre os riscos que corre. Um dos mais deslumbrantes é a possibilidade de se ver num palco ao lado de quem de certa forma é responsável por sua incursão na música. É o meu caso com Milton, toda vez que tenho a honra de cantar com ele.” Samuel Rosa, músico

Amigos de uma vida inteirinha - Lô Borges, músico

“Uma história importante foi o dia em que a gente se conheceu. Eu tinha 10 anos e Milton, 20. Tinha me mudado para um prédio no Centro de Belo Horizonte e ele morava lá. Um dia, minha mãe pediu para eu comprar pão e leite. Quanto mais eu descia as escadas , mais me aproximava de uma voz e do som de um violão que me deixaram encantado, hipnotizado. Quando cheguei ao quinto andar, lá estava ele, que me perguntou se eu gostava de música. Falei que sim, que minha família era toda ligada nisso. Foi um encontro mágico. Então, pensei: “Esse cara vai ser meu amigo para o resto da vida. E foi o que aconteceu.”

Momentos marcantes

Movimento

O Clube da Esquina surgiu no início dos anos 60, devido à amizade entre Milton e os irmãos Borges: Marilton, Márcio e Lô.

Explosão

Em 1967, o músico teve três músicas classificadas no Festival Internacional da Canção, que o consagrou como o melhor intérprete, e a música “Travessia”, conquistou o segundo lugar. No mesmo ano, lançou o primeiro álbum.

Relâmpago

Em 1968, Milton se casou na Igreja dos Capuchinhos, na Tijuca, com Lurdeca. A união teve apenas um mês de duração.

Com o presidente

Em 1971, Lô Borges, Fernando Brant, Márcio Borges e Milton Nascimento, a turma do Clube da Esquina, teve um encontro casual com o presidente Juscelino Kubitschek, em Diamantina (MG).

Pai e filho

Milton conheceu Augusto quando ele tinha 13 anos através de amigos de Juiz de Fora (MG). Ao saber que ele não não tinha uma boa relação com o pai biológico, quis adotá-lo. A adoção oficial saiu em 2018, mas eles já são pai e filho há mais de dez anos.