Amizade e política se misturam, diz Eduardo Bolsonaro sobre saques de ex-assessor

ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER
Futura Press

FOZ DO IGUAÇU, PR (FOLHAPRESS) - O deputado reeleito Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) disse que amizade e política podem se misturar no gabinete, e "às vezes ocorre de emprestar dinheiro", ao falar sobre movimentações financeiras atípicas que levantaram suspeita sobre um PM que já serviu de motorista para o irmão Flávio Bolsonaro e é amigo há 34 anos de seu pai, Jair Bolsonaro (PSL), próximo presidente do Brasil.

O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) apontou uma movimentação pouco comum que soma R$ 1,2 milhão. O policial Fabiano Queiroz fez 176 saques de dinheiro em espécie de sua conta em 2016, o que dá uma média de uma retirada a cada dois dias.

Com fala similar à de seu pai, Eduardo disse a jornalistas neste sábado (8) que "a gente tem que trabalhar pra não haver interferência na investigação". Mas frisou que "o que ocorreu ali ninguém sabe".

Parte das movimentações financeiras se deu com membros do próprio gabinete de Flávio. Sete desses nomes, segundo relatório do Coaf, integram a equipe do primogênito do presidente eleito.

Eduardo, que sedia em Foz do Iguaçu (PR) a primeira Cúpula Conservadora das Américas, conta que é comum, pelo estilo de política que a família faz, criar laços de amizade no ambiente de trabalho. Um assessor, por exemplo, já o ajudou a vender um carro. As coisas "acabam se misturando", diz.

Ele também comentou a briga com a colega de partido e, a partir de 2019, de Congresso, Joice Hasselmann. Os dois entraram num pega-pra-capar em um grupo de WhatsApp do PSL que acabou vazando e se estendendo para a arena pública, com Eduardo a acusando de ser "sonsa" e ter "fama de louca", e ela o chamando de infantil.

Desta vez, o filho de Bolsonaro tratou de botar panos quentes. "Discussões internas são até saudáveis. Vamos combinar, qual partido que pensa 100% igual? Não existe isso. O que ocorreu ali foi o vazamento de uma discussão de WhastApp em que a gente estava lavando roupa suja."

Eles ainda não se falaram, mas Eduardo prometeu: "Daqui a pouco a gente faz [as pazes]".

Ainda que o PSL esteja sob ameaça de ser isolado por outros partidos, Eduardo não vê o pugilato interno como um "problema para a governabilidade" de seu pai.

Aliados de Jair Bolsonaro no Congresso têm manifestado, nos bastidores, desconforto com as encrencas em que seus filhos acabam se envolvendo.

Tem o bate-boca que veio à tona entre Eduardo e Joice, o imbróglio do ex-motorista de Flávio, isso sem falar nas desavenças do vereador Carlos Bolsonaro, a quem se atribui o estilo mais estourado dos três, com correlegionários do PSL.

Eduardo fala do irmão Carlos, que, "sempre que consegue diagnosticar alguém que aproxima com intenção não se somar, mas de se autopromover, ele de pronto rechaça".

Mas filho "não é passível de demissão, então é melhor que as outras pessoas se adaptem ao estilo do Carlos", afirma. O contrário, diz, "seria dar murro em ponto de faca".