AMLO pede para população evitar pânico diante de escassez de combustível no México

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, em Tijuana, em 6 de janeiro de 2019

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, pediu nesta quarta-feira para a população não entrar em pânico diante do desabastecimento de gasolina no país, provocado pela estratégia para combater o furto de combustíveis, conhecido como "huachicol".

"Vamos resistir a todas as pressões, e peço às pessoas que nos ajudem. Como podem nos apoiar? Agindo com prudência, com seriedade, sem entrar em pânico, sem dar razão a informações alarmistas, tendenciosas", disse López Obrador na habitual coletiva de imprensa matutina.

O mandatário acrescentou que "há gasolina suficiente no país", mas que os condutos para transportá-la não podem ser utilizados porque foram criadas redes alternativas a eles para o roubo de combustível.

Por isso, a gasolina está sendo transportada em caminhões-cisterna, o que gera atrasos em sua distribuição.

A estratégia do novo governo gerou longas filas para o abastecimento de gasolina em vários estados do país, inclusive na Cidade do México.

Em Guanajuato, um dos estados mais afetados, muitas pessoas esperaram horas para abastecer os veículos.

"Não trabalhei. Sou comerciante, então isso me afeta muito. Isso que ele (López Obrador) está fazendo não é certo, porque afeta todos nós. Ele quer pegar os que estão roubando, mas quem se ferra somos nós", disse Alfoson Mendoza, que ficou mais de quatro horas na fila.

Desde terça também foram registradas longas filas em diversos postos de gasolina da Cidade do México, embora a petroleira estatal Pemex tenha dito que não faltava combustível na região e tenha pedido para a população não comprar motivada por pânico.

Alguns postos fecharam as operações e outros restringiram a quantidade de gasolina à venda, segundo a imprensa local.

AMLO pediu para a população ficar calma e para os que têm combustível não tentarem abastecer. "Estamos em processo de normalizar o fornecimento. É um assunto de distribuição", explicou, garantindo que a solução virá em breve.

"Há gasolina suficiente, é um assunto de distribuição e não queremos abrir os dutos, porque estamos revisando todo o sistema de dutos para ir fechando os escapes", explicou.

- Mal planejado -

Para o analista de energia Ramsés Pech, houve uma falha de planejamento na logística de distribuição de combustível para os postos após o fechamento dos dutos para combater o "huachicoleo".

"O que aconteceu é que fecharam o duto e as pessoas que compravam o 'huachicoleo' - combustível roubado - precisaram voltar aos postos de gasolina, e não havia volume para atender a essa demanda", explicou Pech à AFP.

O especialista acrescentou que não há caminhões-tanque suficientes para distribuir uma parcela dos 1,2 milhão de barris de gasolina e diesel consumidos diariamente no país.

Já analistas do banco privado Citibanamex alertaram que, caso os problemas de distribuição se prolonguem, a atividade econômica pode ser impactada.

"A extensão da dificuldade do abastecimento regular na região pode chegar a impactar a atividade econômica industrial e de serviços, assim como os níveis de preços de produtos agrícolas, entre outros", afirmou em nota aos clientes.

No fim de 2018, López Obrador anunciou um plano para impedir o roubo de combustível, que em 2017 gerou prejuízo de 60 bilhões de pesos (cerca de 3 bilhões de dólares).