‘Amor de mãe’ aborda violência contra a mulher, e atriz promove lives para debater o tema em sua rede social

Naiara Andrade
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O realismo de “Amor de mãe” se faz presente em mais uma trama, que ganha espaço no capítulo desta terça-feira (30). Funcionária do lar de Lídia (Malu Galli), Edilene (Beatrice Sayd) surge com machucados pelo corpo, chamando atenção da ex-patroa, Vitória (Taís Araujo). Ela confessa apanhar do companheiro, Robson (Cadu Favero).

— Estou lisonjeada por poder dar voz ao tema dos feminicídios na pandemia. A causa é urgente, ainda estamos todos trancados, vítimas e agressores — sublinha Beatrice, contando uma curiosidade: — Eu e o ator que interpreta o namorado de Edilene não nos encontramos no set em nenhum momento. Ele só gravou com Taís (Araujo). Eu falo dele, indiretamente, mas não tivemos contato.

Numa extensão à abordagem da novela, a atriz decidiu promover nesta quarta-feira (31) e nos próximos dias 2, 7 e 9 de abril, sempre às 20h, em seu perfil no Instagram (@beatricesayd), lives com mulheres que possam ajudar quem passa pela situação da violência. A primeira participação será da delegada Marília de Brito Martins, do Mato Grosso do Sul, terra natal de Beatrice. Também foram convidadas para o bate-papo virtual a atriz Cristiane Machado, que já contou ter sofrido agressões do ex-marido; a jornalista Ana Paula Araújo, autora do livro “Abuso — A cultura do estupro no Brasil”; Maria da Penha, famacêutica cearense que deu nome à lei de amparo às vítimas de agressão; e a atriz Taís Araujo.

— Juntas, somos fortes. Vamos mostrar que há maneiras de denunciar, não baixar a cabeça para esse machismo estrutural horroroso que vivemos — afirma Beatrice, que também é jornalista.

Em “Amor de mãe”, Vitória protege Edilene de seu agressor e lhe oferece auxílio jurídico.

— É bonito ver essa união das duas e a redenção de Vitória, que encontra uma inspiração dentro da advocacia — comenta Beatrice, de 42 anos, que já sentiu na própria pele outros tipos de abuso: — Um amigo da faculdade tentou me agarrar, e eu me joguei do carro num engarrafamento. Por duas vezes, sofri assédio sexual na profissão. Perdi trabalhos porque não quis “namorar o fulano”. Isso me marcou, mas são episódios resolvidos pra mim.

Essa não é a primeira vez que a atriz tem um papel na TV com cunho social.

— Na novela “Em família” (2014), eu vivi a mulher que autorizou a doação do coração do marido para o personagem do (Reynaldo) Gianecchini. Também era sobre uma causa muito importante, a doação de órgãos. As cenas foram lindíssimas, tão importantes quanto as de "Amor de mãe". Mas, na época, não foram tão comentadas porque eu não era uma atriz conhecida — lembra Beatrice, que também marcou presença nos elencos de “Babilônia” (2015) e “Órfãos da terra” (2019).

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