Amos Genish assume presidência de empresa de fibra óptica do BTG

Amos Genish

SÃO PAULO (Reuters) - O veterano executivo das telecomunicações Amos Genish vai comandar a empresa de infraestrutura de fibra óptica criada pelo BTG Pactual a partir dos ativos adquiridos do grupo Oi.

Genish, que foi um dos fundadores e presidente da operadora de banda larga GVT, vendida para a Telefónica em 2014; e presidente-executivo da Telecom Italia entre 2017 e 2018; também foi apontado como presidente-executivo do conselho de administração da nova empresa de telecomunicações do BTG, chamada de "V.tal".

A companhia tem uma rede de fibra óptica de 400 mil quilômetros, está presente em 2.300 cidades do país e possui cobertura disponível a mais 16 milhões de endereços.

Segundo Genish, a companhia pretende mais que dobrar esta cobertura até 2025, para 34 milhões de endereços, com ajuda de investimento de 30 bilhões de reais. "Vamos ser a quinta maior rede de fibra do mundo e a maior rede neutra em 2025", afirmou o executivo. Ele se referiu ao modelo de negócio da empresa, que vai atuar no atacado, provendo infraestrutura para operadores de telecomunicações que não quiserem investir em redes próprias para chegar aos clientes.

O presidente da V.tal afirmou que a expectativa de faturamento deste ano é de 5 bilhões de reais e que a empresa já tem uma série de memorandos de entendimento assinados com operadoras, além de estar negociando com "varejistas grandes, maiores marketplaces brasileiros, fintechs e seguradoras que querem entrar neste negócio" no país. Ele não citou nomes ou deu detalhes dos futuros clientes.

Porém, um deles, é a própria Oi, que no processo de recuperação judicial tinha na venda de seus ativos de rede de fibra ótica um dos mais importantes pilares. A operadora, em recuperação judicial desde 2016, anunciou na quinta-feira a conclusão da venda da participação majoritária em sua empresa de fibra ótica ao BTG Pactual, o que incluiu a provedora GlobeNet, por cerca de 12,9 bilhões de reais.

Genish afirmou que, apesar de ser acionista da V.tal, a Oi não terá qualquer participação na gestão direta da companhia e vai desfrutar das mesmas condições comerciais dos demais clientes da empresa.

A V.tal é sediada em São Paulo e tem mais de 3 mil funcionários. Para além da rede de fibra, Genish afirmou que a companhia vai investir em desenvolvimento de serviços voltados para internet das coisas e 5G, e, por isso, um dos pontos de atenção futura da V.tal será a criação de centrais de processamento de dados que ficam mais próximas dos clientes, em vez de grandes núcleos situados a grandes distâncias, algo conhecido como "edge computing".

"Estamos só no começo para sermos a maior infraestrutura digital do Brasil", disse Genish.

Questionado sobre como a empresa vai se financiar, o presidente da V.tal afirmou que os planos incluem emissão de 5,7 bilhões de reais em dívida "com sete bancos, dos quais três internacionais e quatro locais". Emissões de debêntures são também avaliadas no futuro, além de uma eventual oferta pública inicial de ações (IPO) a ser feita "no momento certo".

A confiança da empresa decorre justamente do momento atual, desfavorável a grandes investimentos diante da elevação de juros, câmbio instável, inflação elevada e renda restringida da população.

Segundo Genish, "apesar do momento econômico ser delicado", ele reforça a tese da empresa: de vender infraestrutura para outras companhias. No caso do 5G, empresas que compraram licenças no leilão do ano passado vão ter de fazer pesados investimentos em rede para conseguir cumprir expansão dos serviços de telecomunicações com qualidade.

"Vemos o momento como um copo meio cheio", disse Genish. "Com o capital mais caro e o consumidor mais pressionado, as operadoras têm como opção usar a rede neutra" em que o cliente paga pelo acesso ativo do usuário do serviço de telecomunicação e não por toda uma infraestrutura que precisa encontrar clientes para remunerá-la.

"Temos mais de 30 operadores de internet" como clientes, disse Genish.

Questionado sobre uma eventual expansão internacional da V.tal, o executivo disse que é algo que não pode ser descartado, mas que o foco da empresa nos próximos três a quatro anos está sobre o mercado brasileiro.

(Por Alberto Alerigi Jr.)

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