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Alvaro Dias erra ao dizer que Folha deu manchete sobre sua popularidade como governador do PR

Agência Lupa
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Alvaro Dias (Podemos), durante o debate entre candidatos à Presidência da República das eleições 2018 promovido pela Rede TV, na sede em, São Paulo (SP), na sexta-feira (17) (Guilherme Rodrigues/Futura Press)

Chico Marés

Edição: Natália Leal

Desde que decidiu concorrer à presidência, o senador Alvaro Dias (Podemos-PR) tem repetido seus índices de popularidade como governador do Paraná em entrevistas e sabatinas. No primeiro debate do período eleitoral, na Band, no dia 9 de agosto, não foi diferente. A Lupa foi atrás de pesquisas e dados eleitorais para verificar se os fatos citados pelo candidato são verdadeiros. Confira abaixo:

“Ao final [do governo], a Folha de S.Paulo estampava em manchete que eu era o governador mais popular do país”

Alvaro Dias, candidato à Presidência da República pelo Podemos, em debate na Band, dia 9 de agosto de 2018

FALSO

Dias foi governador do Paraná de março de 1987 a março de 1991 à época, filiado ao PMDB. Nas capas do jornal Folha de S.Paulo publicadas de 1º de janeiro de 1990 a 30 de abril de 1991, não há manchetes sobre Dias ou sobre sua popularidade. A Lupa consultou o acervo digital da Folha e solicitou uma pesquisa ao próprio arquivo do jornal – ambas sem resultado.

Em 18 de março de 1990, quase um ano antes do fim do governo do atual candidato, a Folha publicou reportagem intitulada “Melhora desempenho de cinco governadores”. O texto, que saiu na página 9, diz: “Entre os governadores avaliados [seis, ao todo], quem prossegue mantendo os melhores índices de popularidade é Alvaro Dias”. Na capa daquela edição, há uma referência à reportagem, mas sem citar o nome de Dias. A manchete do dia foi: “Maioria apóia choque de Collor”, em referência ao Plano Collor, recém-anunciado.

Em 1989, por três vezes a Folha publicou reportagens que continham informações sobre a popularidade do então governador do Paraná – em nenhuma delas, com destaque principal na capa do jornal. Em 19 de março, a aprovação de Dias estava em 58%. Em 17 de setembro de 1989, ele aparecia como o governador melhor avaliado em pesquisa do instituto Datafolha. Em 9 de outubro, reportagem intitulada: “Alvaro Dias mantém imagem de ‘novo’ com verbas de publicidade” estampava a foto de um outdoor pago com dinheiro público dizendo: “Bota cartaz nisso! Alvaro Dias, governador mais popular do país. Pesquisa Datafolha/Folha de S. Paulo, set/89”. A afirmação era um exagero: a pesquisa havia sido realizada em apenas nove capitais do país. A reportagem faz um balanço do governo do senador licenciado e destaca que Dias não concluiu nenhuma grande obra em dois anos e sete meses de governo. Além disso, afirma que ele “impôs um rígido controle da imprensa, o que inclui a censura às críticas feitas pelos adversários, e investiu massivamente em publicidade”.

Na edição de 13 de setembro de 1987, no primeiro ano da gestão de Dias no PR, outra pesquisa Datafolha o mostrou como o mais bem avaliado entre sete governadores. Ele tinha 61% de aprovação. O mesmo levantamento foi tema de coluna de opinião assinada por Eduardo Sganzerla no dia 16 de setembro. Novamente, a popularidade de Dias não é a manchete em nenhuma das edições.

Procurada, a assessoria do candidato enviou à Lupa uma capa do jornal O Paraná, datada de 10 de março de 1988, no segundo ano de mandato de Dias. Ela diz que a aprovação do então governador era de 90%.

“Fui governador, terminei o mandato com 93% de aprovação”

Alvaro Dias, candidato à Presidência da República pelo Podemos, em entrevista à Folha de S. Paulo, dia 4 de abril de 2018

FALSO

A última pesquisa de aprovação de governadores realizada no Paraná pelo Datafolha foi publicada no jornal Folha de S. Paulo no dia 17 de setembro de 1990, seis meses antes do fim do mandato de Dias. Nela, ele aparecia com 42% de aprovação. O índice é inferior ao do então governador de São Paulo, Orestes Quércia (PMDB), que tinha 55% de aprovação, e ao de Tasso Jereissati (PSDB), aprovado na época por 50% dos cearenses. O levantamento avaliou a gestão em 11 estados brasileiros.

Procurada, a assessoria do candidato, mais uma vez, justificou a fala utilizando a capa do jornal O Paraná, datada de 10 de março de 1988, que mostra uma aprovação de 90% ao então governador.

“Sou senador, eleito com quase 80% dos votos do meu estado”

Alvaro Dias, candidato à Presidência da República pelo Podemos, em debate na Band, dia 9 de agosto de 2018

VERDADEIRO

Dias foi eleito senador pelo Paraná pela quarta vez em 2014, com 77% dos votos válidos, segundo o TSE. Ele teve 4,1 milhões de votos – enquanto seus concorrentes não chegaram a 700 mil: Ricardo Gomyde (PCdoB) teve 666 mil, e Marcelo Almeida (PMDB), 465 mil. Antes disso, o atual candidato à Presidência foi eleito senador em 2006, com 50,5% dos votos, em 1998, com 65,1%, e em 1982, com 58,8%. Em todas as eleições das quais Dias participou, havia apenas uma vaga para senador. Ao todo, ele passou 24 anos no Senado – e pode chegar a 28, caso não seja eleito presidente. Veja aqui todas as eleições disputados por Dias desde 1982.

“Fui governador, [eleito] com 72% dos votos”

Alvaro Dias, candidato à Presidência da República pelo Podemos, em debate na Band, dia 9 de agosto de 2018

VERDADEIRO

Em 1986, Dias, então no PMDB, recebeu 2,3 milhões de votos para governador do Paraná, o equivalente a 70,6% dos votos válidos naquela eleição (3,3 milhões). O segundo colocado foi Alencar Furtado, do extinto PMB (Partido Municipalista Brasileiro). Dias se candidatou novamente ao governo do estado em 2002, mas foi derrotado no segundo turno pelo atual senador Roberto Requião (PMDB-PR). As informações constam no repositório de dados do TSE.

 

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