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Bicicletas Yellow: estamos prontos para a liberdade?

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Foto: Reprodução/Instagram/Aline De Nadai/@nadainsta_

Esta semana foi amplamente divulgado nas redes sociais o caso da startup  de bicicletas Yellow, de compartilhamento do veículo. A empresa disponibiliza bicicletas por toda a cidade, que podem ser usadas com a ajuda de um aplicativo e deixadas em qualquer lugar, para que o próximo usuário a tenha disponível. O problema é que, mesmo na fase embrionária, as poucas 500 bicicletas disponibilizadas pela empresa já tiveram sua cota de depredação – é possível notar, nas reportagens, a ausência de bancos e outras partes funcionais em bicicletas estacionadas. 

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Esse tipo de situação, em que o brasileiro médio não consegue aproveitar facilidades como essa, faz crescer a pergunta: o Brasil está preparado para o tipo de liberdade que estas iniciativas oferecem?

Em primeiro lugar, há uma constatação óbvia a se fazer. O Brasil tem, em sua essência, um problema crônico de segurança pública, que em grandes metrópoles é agravado pelo mau urbanismo  – espaços públicos e de uso comum que são planejados centralmente e acabam se tornando ineficientes. O diagnóstico tem uma só causa – a incompetência do poder público.

Muito embora o governo esteja constantemente gerando problemas aos cidadãos para em seguida oferecer soluções caras e paliativas, a iniciativa privada às vezes se arrisca para trazer, em forma de inovação, alguma alternativa que possa melhorar a vida das pessoas. No caso da Yellow, esta solução é o oferecimento de bicicletas, uma opção que muitos preferem adotar para fugir do congestionamento enlouquecedor que assola capitais e grandes cidades. Seu método de compartilhamento  gera valor para os usuários e para o mercado em geral.

Mesmo a falta de segurança não impede que a empresa exerça seu papel, já que seus idealizadores calcularam antecipadamente o prejuízo que poderiam ter com esse tipo de ocorrência criminosa.

Outras iniciativas e empresas oferecem opções igualmente criativas para problemas públicos e se desenvolvem bem. Geralmente, conseguem existir e ter sucesso apesar das muitas dificuldades que ainda proliferam sem qualquer atenção específica do governo, que deveria saná-los.

É claro que o desrespeito à propriedade privada é um obstáculo imenso para a amplificação do liberalismo, mas a maneira mais rápida de amadurecer a nossa sociedade neste aspecto passa por duas medidas:  promover a liberdade e extinguir a impunidade.

Assim, as pessoas podem conviver e acostumar-se com esse tipo de iniciativa, sem deixar de observar que há punição caso não a respeitem. Infantilizar os indivíduos através do paternalismo do estado não os ajudará a se adaptarem à liberdade, somente evitará que nosso país finalmente entre no século XXI dos costumes.

É uma pena que o governo insista em tomar para si o monopólio da segurança, perpetuando um problema que até hoje não foi capaz de resolver por causa de sua burocracia excessiva e de suas instituições desvalorizadas.  Precisaríamos de uma startup que usasse a tecnologia para resolver a impunidade, mapeando de forma descentralizada os locais de ocorrências criminosas, mobilizando a sociedade como um todo e facilitando o processo de identificação da bandidagem e seus métodos.

Seria, mais uma vez, a iniciativa privada se sobressaindo onde o governo não cansa de falhar.

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