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Candidata do PSOL é ameaçada por PM em primeiro dia de campanha: “Ideologia mata”

Justificando
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Foto: imagem do vídeo gravado pelo fotógrafo Bruno Kaiuca para o  Jornal do Brasil.

Fonte: com informações do Jornal do Brasil

Nesta quinta-feira (16), primeiro dia previsto pelo calendário eleitoral para o início das campanhas nas ruas, a candidata à deputada federal pelo PSOL, Talíria Petrone, foi surpreendida por um policial militar que, em abordagem violenta, a acusou de fazer campanha ilegal na barca que faz a travessia de Niterói para o Rio. O policial chegou a sacar sua arma durante o tumulto e dar voz de prisão a um jovem negro que se manifestou em defesa da candidata. “Arma mata”, bradou Talíria em reação à atitude violenta do PM enquanto pedia que todos mantivessem a calma.  “Ideologia mata mais”, respondeu o policial.

Não houve qualquer atitude nossa que desse margem a uma interpretação equivocada sobre fazer campanha ilegal.

Afirma Talíria em vídeo sobre o ocorrido publicado em sua página no facebook.

Ela relata que estava sim carregando os panfletos de campanha, mas que estes seriam distribuídos apenas quando saísse da barca, na Praça Mauá, Praça XV, no Buraco do Lume e em outros locais da cidade do Rio de Janeiro.

Eu sei bem que qualquer tipo de campanha dentro do transporte público fere a lei eleitoral.

Esclarece a candidata. E completa:

Inclusive, mesmo que  [a gente] ferisse [a lei eleitoral] não é a policia militar que fiscaliza eleição.

Ela explica que o PM perdeu o controle quando ela e suas companheiras de campanha decidiram fazer uma selfie dentro da embarcação.

Na hora da selfie eu estava segurando os panfletos no cantinho da barca. 

Conta Talíria.

O policial veio de forma bruta, truculenta, bateu no meu celular, derrubou nossos panfletos e começou a gritar.

 

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Em reportagem do Jornal do Brasil, é possível ver vídeos, fotos e relatos do fotógrafo Bruno Kaiuca que por acaso estava na embarcação e presenciou e registrou o ocorrido. O tumulto ocorreu por volta das 9h. As imagens mostram o PM abordando a candidata do PSOL e sua equipe e questionando-os sobre o motivo de estarem com o material de campanha na embarcação. O vídeo mostra o policial sacando a arma para intimida-los e a reação dos demais ocupantes da barca que se manifestaram contra a ação do PM. 

 

Virou uma confusão generalizada, ele cada vez mais exaltado, gritando, as pessoas que estavam na barca se manifestando contrariamente aquela arbitrariedade.

Lembra a candidata a deputada federal em suas rede sociais. De acordo com Talíria, foi neste momento que um jovem se manifestou indignado, dizendo que aquilo era um absurdo. O policial então, entendendo que a atitude do jovem configurava um desacato a sua autoridade, lhe deu voz de prisão.

Um jovem negro… diante de tantas pessoas reclamando aquele [a quem foi dado voz de prisão] era um jovem negro.

Foi quando o jovem teria dito que “não iria ser preso pois não havia feito nada de errado” que o policial jogou-o violentamente na cadeira e sacou sua arma.

Eu afirmei que arma mata e ele imediatamente responde que ideologia também mata.

Conta Talíria.

Essa frase do policial resume muito o momento político em que a gente vive. Quando um policial militar, que é parte do estado, diz que ideologia mata, qual ideologia que mata? A ideologia do ódio, a ideologia do fascismo, a ideologia daqueles que não querem enfrentar o racismo, que não querem enfrentar a LGBTfobia, a pobreza, o feminicídio.

Analisa a candidata do PSOL. E completa:

Estamos vivendo em um momento muito grave para o Brasil, um momento de retrocesso democrático em que um representante do estado, armado, saca uma arma no meio de uma embarcação,  no meio de um transporte público […] Mesmo se tivesse havido desacato, desacato não se controla com arma.

 

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Na delegacia.

Todos os envolvidos no episódio, a candidata do PSOL, seus 4 companheiros de campanha, o jornalista do Jornal do Brasil, o jovem a quem foi dada voz de prisão e ainda um advogado que também se manifestou na barca contra o policial, foram levados pelo PM para a 4ª Delegacia de Polícia do Rio.

O policial reteve os documentos de todos, inclusive a OAB do advogado e a ABJ do jornalista, além dos panfletos e material de campanha do PSOL.

Isso foi abuso de autoridade, foi ameaça.

Denuncia a candidata do PSOL. Segundo Talíria, eles tiveram de esperar mais de 5 horas na delegacia para fazer seu depoimento.

[O policial] nitidamente sabia quem o PSOL era, quem nós éramos, [estava] nitidamente incomodado com nossa luta, nossa resistência.

Além de tomar todas as medidas cabíveis contra a arbitrariedade do PM, a candidata a deputada federal critica o fato de que este episódio é sintomático e revela problemas crônicos do país.

Infelizmente não é um fato isolado. Hoje de manha teve operação no Morro do Estado, a semana inteira gente morta, casa invadida, porta quebrada, isso é o que a população de favela vive toda hora o tempo todo com arma de fuzil na cara.

E conclui Talíria:

[precisamos entender] que isso é parte de um sistema, um modelo de segurança pública, um modelo de estado que é racista, que é elitista, e de um momento político em que o ódio é usado como mobilizador.

 

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Declarações da PM e da CCR sobre o caso

Em comunicado, a assessoria de imprensa da PM informou:

“Durante policiamento de rotina, na manhã desta quinta-feira (16/08), no interior de uma barca da CCR Barcas que fazia o trajeto Niterói-Rio de Janeiro, policial militar foi alertado por um tripulante que um grupo planejava fazer panfletagem de propaganda eleitoral no interior da embarcação, o que é proibido pela legislação vigente.

Na abordagem ao grupo, que transportava pacotes de panfletos de propaganda eleitoral, houve princípio de tumulto. O policial militar, em serviço através do Programa Estadual de Integração na Segurança (PROEIS), achou por bem encaminhar o caso para a 4ª DP (Praça da República). 

Vale lembrar que, embora já seja permitida a propaganda eleitoral, o artigo 14  da Resolução 23.551, do Tribunal Superior Eleitoral, proíbe a veiculação dessa prática em transportes públicos.”

E a empresa CCR Barcas, responsável pelo transporte público aquaviário entre as cidades do Rio e de Niterói, declarou:

“A CCR Barcas informou que não é permitida a distribuição de material de campanha eleitoral dentro das embarcações e das estações, segundo determinação do TSE”.  

Por Daniel Caseiro.

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