Update privacy choices
Notícias

Casal que confessou matar comerciante no RJ é solto e delegado desabafa: 'Saíram pela porta da frente'

Yahoo Notícias
Imagem meramente ilustrativa – Pixabay

Um casal suspeito de assaltar e matar a facadas uma comerciante em Petrópolis, no Rio de Janeiro, foi liberado pela Justiça depois que o juiz de plantão alegou falta de urgência no pedido de prisão, informou a polícia.

Os dois suspeitos foram localizados em Paty do Alferes após 30 horas de buscas e confessaram o crime, que aconteceu em uma padaria na sexta-feira (31).

Claudio Batista, delegado titular da 105ª DP, postou um depoimento na rede social da delegacia relatando que o juiz de plantão alegou que não havia “justificada urgência” para representar o pedido de prisão contra os suspeitos de latrocínio, o roubo seguido de morte.

Ainda de acordo com o delegado, o Ministério Público já havia pedido a prisão temporária de 30 dias contra os suspeitos no sábado (1º). O órgão reuniu informações de testemunhas que viram o casal fugir.

Segundo as investigações, o homem levou cerca de R$ 300 da vítima, a agrediu com várias facadas e fugiu em seu próprio carro com a ajuda de sua companheira, que era vizinha da vítima.

“Após horas de espera, manifestação favorável do Ministério Público, em dois parágrafos, o excelentíssimo senhor juiz citava resolução do Conselho Nacional de Justiça para dizer que sequer iria apreciar a representação por não haver urgência”, lamentou o delegado.

“A decepção dos policiais envolvidos só não era maior do que a felicidade do casal com a notícia de que sairiam pela porta da frente da delegacia depois de terem entrado pelos fundos”, relatou o delegado.

Ao G1, o chefe do Departamento Geral de Polícia do Interior, delegado Alexandre Ziehe, falou sobre o assunto. “Saíram rindo pela porta da frente. É preciso dar visibilidade a isso para mostrar que há juízes totalmente descomprometidos com a causa pública. Se um latrocínio em Petrópolis, com dois autores presos e confessos não é grave, eu não sei mais o que é grave”, questionou.

Por meio de nota, a Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (Amaerj) informou que: “A respeito de representação do delegado de polícia da 105ª DP pela prisão temporária de dois suspeitos de latrocínio em Petrópolis ao juiz Fábio Lopes Cerqueira, durante plantão judiciário, a Amaerj esclarece que o pedido policial continha como único fundamento a necessidade de reconhecimento dos investigados pelas vítimas, sem justificativa de urgência”.

De acordo com a Amaerj, segundo norma do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), “o juiz do plantão judiciário só tem autorização legal para analisar esse tipo de representação quando há justificada urgência. Caso contrário, o processo deve ser remetido ao juiz natural da causa”.

A Associação ressalta ainda que: “não constava da representação policial a relevante informação de que os investigados já haviam sido presos e tinham confessado o crime. Causa espécie ainda a detenção dos suspeitos, uma vez que a prisão só é legal em hipóteses de flagrante ou mediante ordem judicial. E que a Polícia Civil tenha divulgado dados sigilosos de inquérito policial nas redes sociais, e não os tenha informado ao magistrado”.

Por fim, diz que “reitera o valor da independência judicial e a qualidade da magistratura do Rio de Janeiro, reconhecida pelo nono ano consecutivo como a mais produtiva do país pelo CNJ”

203 Reações

Leia também