Update privacy choices
Notícias

Com Bolsonaro na liderança, briga por espólio de Lula deve definir a eleição

Yahoo Notícias
Danilo M Yoshioka/Futura Press – Cassiano Rosário/Futura Press
Yahoo Brasil

A pesquisa Datafolha divulgada na segunda-feira, 10/09, mostra que, se não recebeu uma enxurrada das intenções de votos após ser alvo – e notícia no mundo todo – de um atentado a faca, Jair Bolsonaro tem presença praticamente certa no segundo turno.

A grande incógnita até aqui é quem será o opositor do candidato do PSL.

O deputado tem 24% das preferências do eleitor. É seguido de longe por Ciro Gomes (PDT), com 13%, Marina Silva (Rede), 11%, Geraldo Alckmin (PSDB), 10%, e Fernando Haddad (PT), 9%. Antes deles há 15% de eleitores indecisos ou dispostos a votar branco ou nulo.

Os quatro estão tecnicamente empatados na margem de erro, de dois pontos percentuais. Com exceção da ex-senadora, todos oscilaram positivamente em relação à última pesquisa.

A menos de um mês para a eleição, é neste bolo que a disputa começa a ser definida. O que significa dizer: estará no segundo turno, e a um pé de ser eleito, quem conseguir herdar o espólio do ex-presidente Lula, impedido de concorrer.

De acordo com o Datafolha, 33% dizem votar com certeza em um nome indicado por ele e 39% já sabem que este candidato é Haddad. A má notícia para quem quer chegar ao segundo turno é que 49% dizem que jamais votariam em um postulante apoiado por Lula.

O potencial de transferência, ao menos nessa etapa da campanha, começa a ser sentido. O ex-prefeito cresceu entre os mais pobres, no Norte e no Nordeste e entre os que têm ensino fundamental. Ciro também.

Só que apenas 43% dos eleitores do pedetista sabem que Haddad é o candidato de Lula; 49% não sabem quem é ou imaginam que seja Ciro. Ou seja: quando o ex-prefeito for oficialmente lançado (sim, você leu isso), esses números podem ser invertidos.

Caberá ao ex-governador do Ceará encontrar uma fórmula delicada para combater a provável ascensão de Haddad. Como atirar sem acertar em Lula e perder votos no campo progressista?

Uma das estratégias, conforme anunciou o Painel, da Folha de S.Paulo, é questionar como alguém que não conseguiu se reeleger prefeito em São Paulo pode querer ser presidente. A ver.

Em tendência de queda, os votos de Marina, que não conta com tempo de TV nem estrutura partidária para reverter o quadro, tendem a migrar para quem estiver mais bem posicionado entre Ciro e Haddad. É o chamado voto útil, que pode beneficiar quem deles estiver à frente.

Já Alckmin, que iniciou a campanha com ataques diretos a Bolsonaro, parece já não ter de onde tirar votos. Segue com 12% das intenções em São Paulo, seu reduto, e dificilmente conseguirá abocanhar algum naco dos eleitores de Ciro, Haddad ou Marina para impulsionar a ida ao segundo turno.

Para isso, precisaria tirar votos de quem já está embaixo, como João Amoedo (Novo), Alvaro Dias (Podemos) e Henrique Meirelles (MDB) que, juntos, somam 9% das intenções.

Ou seguir na estratégia de desconstrução de Bolsonaro e torcer para que ao menos um terço dos votos do ex-capitão migre para ele. Com poucas semanas para a disputa, a missão parece ingrata.

Não bastasse a situação delicada de Alckmin, o tucanato sofreu um duro golpe no início da semana com a prisão de um importante quadro do partido, o ex-governador do Paraná e candidato ao Senado Beto Richa. Em uma disputa tão pautada pelo discurso anticorrupção, qualquer área de instabilidade pode ser fatal.

O fato é que, a essa altura do campeonato, sem precisar dar as caras nos debates e com uma espécie de cessar-fogo dos adversários em respeito à sua condição clínica, Bolsonaro parece mais do que consolidado no patamar superior ou próximo de 20%.

Apesar disso, sua rejeição permanece resiliente a qualquer comoção pós-ataque: 43% dos eleitores afirmam que não votariam no deputado de jeito nenhum.

Marina, Alckmin, Haddad e Ciro, um dos quais será seu adversário no segundo turno, somam hoje 29%, 24%, 22% e 20% de rejeição, respectivamente.

No caso do ex-capitão, o repúdio é maior entre mulheres (49%), os mais jovens (55%) e no Nordeste (51%).

Não é por outro motivo que o hoje líder das pesquisas se torne azarão em qualquer projeção de segundo turno.

Ciro, por sua vez, é o candidato mais viável na fase seguinte de campanha. Ele bateria Alckmin (39% a 35%), Bolsonaro (45% a 35%) e Marina (41% a 35%).

É ali, portanto, que a eleição começa a ser definida. Por isso é possível imaginar uma intensificação da disputa neste bloco dos quatro candidatos tecnicamente empatados. Bolsonaro pode ganhar folga até lá.

No segundo turno o inimigo será outro.

Reações

Leia também