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Os desafios de Haddad como substituto de Lula nas eleições

Por Jordi MIRO
AFP
(11 set) Haddad cumprimenta apoiadores em Curitiba

Fernando Haddad tem grandes possibilidades de chegar ao segundo turno nas eleições de outubro, mas para chegar à presidência e governar o Brasil, deverá se distanciar de seu mentor, Luiz Inácio Lula da Silva, segundo analistas.

Da prisão onde cumpre pena de 12 anos e um mês por corrupção e lavagem de dinheiro, Lula esticou até onde pode sua luta para concorrer à presidência, deixando pouco tempo para a exposição de Haddad até a votação de 7 de outubro. O segundo turno ocorrerá no dia 28.

As últimas pesquisas - Datafolha e Ibope - colocam Haddad apenas na quinta posição, com 8% e 9% das intenções de voto, contra os quase 40% que Lula ostentava antes de ser excluído da campanha.

Mas Haddad, ex-prefeito de São Paulo, terá agora a máquina petista a seu favor para tentar herdar o maior número possível de eleitores de Lula.

Além do agora apoio explícito de Lula, o candidato do PT terá ainda o segundo maior tempo na propaganda gratuita em rádio e TV, uma arma ainda poderosa no Brasil, além da grande presença da esquerda nas redes sociais.

"Com tudo isto, é muito difícil que ele não chegue ao segundo turno. É apenas uma questão de tempo até o eleitorado reconhecer Haddad como o candidato do Lula", avaliou à AFP Lincoln Secco, historiador da Universidade de São Paulo e autor da "História do Partido dos Trabalhadores no Brasil".

Um dos desafios de Haddad, 55 anos, será arrebatar votos de Ciro Gomes, muito forte no Nordeste, que concentra quase 30% dos votos do país.

Ciro, um ex-ministro de Lula, ocupa a segunda posição nas pesquisas, com entre 11% e 13%, atrás apenas de Jair Bolsonaro (24% a 26%).

- Fantoche de Lula? -

O poder de Lula sobre o PT e seu eleitorado, as frequentes visitas de Haddad a sua cela em Curitiba e o empenho da militância em recordar que "Lula é candidato com o nome de Haddad" tem levado muitos a questionar se o ex-prefeito de São Paulo não será um fantoche do ex-presidente.

"No primeiro turno Haddad será a voz de Lula para manter um eleitorado cativo, mas no segundo a tendência é que ganhe autonomia e mostre seu perfil mais moderado dentro do PT", disse à AFP Thomaz Favaro, analista político para o Brasil do Control Risk, consultoria de gestão de riscos.

Especialmente se disputar com Bolsonaro, pois terá de convencer os eleitores de centro e de centro direita, muitos radicalmente contrários ao PT.

"Qualquer candidato que for eleito terá uma dificuldade enorme para governar. Haddad teria que encontrar um equilíbrio entre seu espírito mais conciliador e seu partido, que tem um programa mais radicalizado em relação às eleições passadas".

Mas a história recente da América Latina sugere que a cria pode se voltar contra o seu criador, como ocorreu no Equador entre o presidente Lenín Moreno e seu padrinho político, Rafael Correa, ou na Colômbia entre os ex-presidentes Álvaro Uribe e Juan Manuel Santos.

No Brasil, o melhor exemplo é Michel Temer, vice de Dilma Rousseff e que assumiu a presidência após o impeachment da petista, em 2016.

Mas para Secco "é muito difícil" que algo assim ocorra entre Lula e Haddad.

"Lula constituiu algo como o peronismo na Argentina e tem um carisma muito maior em um partido muito mais forte" em relação aos casos de Colômbia e Equador", concluiu.

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