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ENFOQUE-Cofco e ADM têm maior salto em exportação de milho e soja do Brasil em 2017

Por José Roberto Gomes
Reuters

Trabalhadores em embarcação de carga com soja em terminal do porto de Santos, Brasil

Trabalhadores em embarcação de carga com soja em terminal do porto de Santos, Brasil 13/03/2017 REUTERS/Paulo Whitaker

Por José Roberto Gomes

SÃO PAULO (Reuters) - A chinesa Cofco e a norte-americana Archer Daniels Midland foram as tradings, dentre as maiores com operações no Brasil, que mais elevaram os embarques de milho, soja em grão e farelo em 2017 na comparação com o ano anterior.

No ano passado, a Cofco exportou 9,30 milhões de toneladas desses produtos, mais de quatro vezes o volume de 2016, segundo dados da agência marítima Williams aos quais a Reuters teve acesso.

Em meio à consolidação de ativos com aquisições da Nidera e Noble Agri, a Cofco acentuou a agressividade dos últimos anos, que a fez figurar como uma concorrente forte das tradicionais companhias conhecidas como ABCD (ADM, Bunge, Cargill e Louis Dreyfus).

E, em 2017, a Cofco ainda superou a Dreyfus e a ADM no ranking dos maiores exportadores no Brasil, apesar de a norte-americana ter ampliado seus embarques de soja, farelo e milho em 140 por cento na comparação com 2016, para cerca de 8 milhões de toneladas.

O forte avanço dessas companhias ante as concorrentes, após a colheita de uma safra recorde no Brasil, reflete a maturação de investimentos e aquisições recentes, em meio à crescente demanda da China, especialmente pela soja brasileira, que tem ganhado espaço no mercado internacional.

"Já faz duas safras que essas duas tradings (Cofco e ADM) têm sido muito agressivas no mercado. A Cofco, por exemplo, é uma entrante e tem um tamanho muito grande no mundo. Eles têm um acesso fácil à China que nenhuma outra empresa tem. Não só à China, à Ásia como um todo", disse Arlindo Moura, presidente da Terra Santa Agro, uma das maiores produtoras agrícolas do Brasil.

Cofco e ADM apresentaram ganhos consideráveis de participação de mercado. A chinesa respondeu por 8,40 por cento das exportações dessas commodities do Brasil em 2017, que somaram um total de 110,8 milhões de toneladas, enquanto a ADM abocanhou 7,25 por cento. No ano anterior, as fatias eram, respectivamente, 2,6 e 4 por cento.

Com os negócios de 2017, a ADM se aproximou do desempenho da Louis Dreyfus, que exportou 8,45 milhões de toneladas no ano passado, aumento de aproximadamente 40 por cento ante 2016.

As tradicionais Bunge e Cargill apareceram no topo da lista com embarques de cerca de 16 milhões de toneladas (+45,6 por cento) e 12 milhões de toneladas (+39 por cento), respectivamente. A terceira colocada no ranking, a Marubeni, exportou 6,7 por cento mais, somando 10 milhões de toneladas.

A Reuters considerou as empresas que movimentaram mais de 5 milhões de toneladas de milho, soja em grão e farelo em 2017.

Procuradas para comentar os respectivos desempenhos no ano passado, a Cofco e a ADM não comentaram o assunto.

OPÇÕES A PRODUTORES

As expansões de Cofco e ADM se seguem a um ciclo de compras de ativos e alocação de recursos para ampliação da capacidade de exportação e foram impulsionadas ainda pela safra recorde no ano passado, de quase 238 milhões de toneladas.

A trading chinesa, por exemplo, passou a se destacar no cenário internacional de grãos após incorporar operações da holandesa Nidera e da Noble Agri, em um processo anunciado em 2015.

A ADM, por sua vez, concluiu em 2017 investimentos de cerca de 280 milhões de reais no Porto de Santos (SP), expandindo em 33 por cento a capacidade de exportação de seu terminal, para 8 milhões de toneladas de grãos por ano.

Outra ampliação se deu nas instalações em Barcarena (PA), operadas em joint venture com a Glencore, com quadruplicação da capacidade, para 6 milhões de toneladas.

No Brasil, o fortalecimento da Cofco e da ADM se traduz em maior originação de produtos e também aumenta as opções para os produtores em um segmento dominado por gigantes do agronegócio, de acordo com integrantes do setor.

"Para o produtor tem sido interessante essa agressividade da ADM e da Cofco. Estão mais presentes no mercado e nos dão mais opções", ressaltou Moura, da Terra Santa Agro.

Zilto Donadello, que cultiva 700 hectares de soja em Cláudia (MT) e, na sequência, 300 de milho safrinha, concorda que "a disputa pelo produto agrícola é saudável".

Segundo ele, em algumas ocasiões com navios próximos de carregar, essas tradings, em especial a Cofco, chegam a oferecer até 1,80 real a mais pela saca de soja ante os valores praticados no mercado.

Donadello, no entanto, pondera sobre os riscos da concentração no mercado de tradings. Ele citou o próprio negócio entre Cofco, Nidera e Noble Agri e a possibilidade de a Bunge ser adquirida pela ADM.

"Vejo com certa preocupação. Os chineses estão fechando a ponta do produtor (atuando nos diversos elos da cadeia)... Temos de tomar cuidado para não sermos um simples integrado deles", afirmou, em referência à Cofco.

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