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EUA pede na ONU mais esforços para atender à crise venezuelana

Por Laura BONILLA
AFP
Embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Nikki Haley, em 8 de agosto de 2018, na ponte internacional Simón Bolívar em Cúcuta, Colômbia

Os Estados Unidos pediram nesta segunda-feira (10) à comunidade internacional que sufoquem financeiramente o governo da Venezuela, afirmando que o número dois do chavismo, Diosdado Cabello, é "um ladrão" e "um narcotraficante".

O governo de Nicolás Maduro "está cometendo um crime moral contra o povo" e atenta contra "a paz e a segurança regional", declarou a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, na reunião que convocou no Conselho de Segurança.

Cabello "é considerado o segundo homem mais poderoso da Venezuela". "É também um ladrão e um narcotraficante que usa seu poder para encher os bolsos", afirmou Haley.

A embaixadora disse que Cabello esteve "diretamente" envolvido no tráfico de drogas, com envio de entorpecentes da Venezuela para a República Dominicana e de lá para a Europa, e que usou seus contatos com o governo para denunciar outros traficantes, roubar suas drogas e "eliminar os adversários".

"Usou empresas de fachada na Flórida e empresas estatais mineradoras e minerais para esconder o seu dinheiro sujo", disse. "O resultado da corrupção de funcionários venezuelanos como Cabello é que não apenas o povo da Venezuela sofre, mas a segurança de todo o hemisfério sofre".

"Todos, incluindo o Conselho de Segurança, precisam fazer mais" para ajudar o povo venezuelano, sustentou Haley.

- 'Uma cleptocracia' -

O secretário adjunto de combate ao financiamento terrorista do Tesouro americano, Marshall Billingslea, declarou que "a corrupção juvenil" do presidente Maduro, de sua esposa Celia Flores e da cúpula do governo "empobreceu milhões" de cidadãos.

Urgiu aos países da ONU que não permitam que os funcionários venezuelanos corruptos usem seus sistemas financeiros.

Também pediu que essas instituições não emprestem dinheiro para a Venezuela. "Apenas será roubado", assegurou.

A diretora executiva da ONG Transparência Venezuela, Mercedes de Freitas, contou ao Conselho sobre a venda ilegal de remédios, alimentos e gasolina na Venezuela, e disse que este país é "uma cleptocracia".

A corrupção é endêmica "em todos os níveis de governo e em todos os setores do Estado", afirmou.

A ONU afirma que 2,3 milhões de venezuelanos fugiram do país desde que este entrou em crise em 2014, em meio a uma severa escassez de alimentos e medicamentos.

"Essa é uma crise provocada pelo homem", assinalou Haley.

A tensão entre Washington e Caracas aumentou neste fim de semana, depois que o jornal New York Times informou que diplomatas americanos se reuniram várias vezes secretamente com militares venezuelanos que planejavam um golpe contra Maduro.

As reuniões incluíram um ex-comandante militar venezuelano que aparece na lista de sancionados pelo governo americano, segundo o jornal.

Mas os Estados Unidos não deram qualquer apoio material aos dissidentes apesar de seus pedidos, e os planos de um golpe fracassaram após a recente prisão de dezenas de militares rebeldes, apontou o NYT.

O governo da Venezuela reagiu à notícia destacando que não restam dúvidas sobre os planos de Washington para derrubar Nicolás Maduro.

"Confissão das partes, provas. Quantas vezes o presidente Nicolás Maduro denunciou (...) a ação 'ingerencista', brutal, criminosa dos fatores imperiais contra a Venezuela! O New York Times disse" - assinalou em entrevista coletiva o ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez.

O funcionário destacou que os meios de comunicação internacionais "minimizam" as denúncias do governo socialista e que as informação sobre uma a crise humanitária na Venezuela motivada por uma crise econômica são montagens para justificar uma "agressão" dos Estados Unidos.

"Tentaram instalar um expediente de crise humanitária (...). É evidente, é óbvio que a intenção foi intensificar a agressão de diferentes formas que o governo dos Estados Unidos vem desenvolvendo", acrescentou o ministro.

O governo venezuelano convocou uma marcha para terça-feira contra "o imperialismo", e vinculou as reuniões secretas entre militares dissidentes e diplomatas americanos ao frustrado atentado com drone contra Maduro em 4 de agosto em um desfile militar.

Há anos que as relações entre Estados Unidos e Venezuela são tensas.

Os países não trocam embaixadores desde 2010 e o governo de Donald Trump assegura que Maduro é um ditador. Desde 2017, Washington impôs sanções financeiras contra o chefe de Estado, Cabello e outros funcionários de alto escalão do governo e da estatal petroleira Pdvsa.

Anteriormente, o presidente Donald Trump chegou a declarar que os Estados Unidos tinham "uma opção militar" na Venezuela, o que foi condenado por aliados americanos na América Latina.

O Conselho de Segurança já analisou a crise venezuelana em maio de 2017, também a pedido dos Estados Unidos, mas o encontro foi a portas fechadas. Na ocasião, Haley advertiu que a Venezuela poderia seguir o caminho da Síria.

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