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Fim da corrupção, mais oportunidades e educação: internos da Fundação Casa dizem o que esperam do próximo presidente

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Pixabay

Por Giorgia Cavicchioli

Carlos Farias* tem 18 anos e é de Carapicuíba, município de São Paulo. Ele está na Fundação Casa há pouco mais de um ano. O jovem já decidiu que irá votar este ano, mas afirma que ainda não conseguiu escolher um candidato que o representasse.

“Vou votar para ver se melhora o país e eu vou ajudar o Brasil a sair da crise e da corrupção”, diz o adolescente que está procurando as propostas e o histórico dos candidatos para saber em quem irá votar. “Não adianta estar prometendo o que não vai fazer. Eles têm que prometer o que vão cumprir”, pondera.

Carlos, que diz ter uma família batalhadora, quer que o Brasil avance para que ele tenha mais oportunidades. “Quando eu sair da Fundação, pretendo buscar meus objetivos e ajudar toda a sociedade no que for preciso”, afirma o adolescente que quer fazer faculdade de engenharia.

O interno Paulo Souza, 18 anos, tem o mesmo pensamento do colega. Ele, que é de Jandira, município de São Paulo, tem sete irmãos e uma filha de cinco meses, afirma que quer que o novo presidente priorize educação, saúde e trabalho. “Nosso país tem tudo para estar no topo”, diz o adolescente.

Paulo está desde julho do ano passado na Fundação e afirma que irá votar este ano “pela melhora do país” e para que ele possa “mudar de vida” quando voltar para o convívio social. “Quero fazer cursos, trabalhar, terminar os estudos e andar de cabeça erguida no meio da sociedade. Quero poder ajudar mais as pessoas e ser um cidadão de bem”, diz.

Pedro Silva, 18 anos, afirma que muito do que espera da sua saída da Fundação está nas oportunidades que irá ter da sociedade. Segundo ele, sua história tem “um pouco de coisa boa e ruim”, mas que desde que foi encaminhado para cumprir medida socioeducativa, busca estar apto para conviver em sociedade. Ele afirma que o próximo presidente tem que “acabar com a corrupção em primeiro lugar, para que, desta forma, consigamos melhorar educação, saúde e ter mais políticas públicas”. Mas, diz que irá anular o voto este ano por não conhecer bem as propostas dos candidatos.

Daniel Oliveira, por sua vez, já escolheu seu candidato para a eleição presidencial: Geraldo Alckmin. O jovem de 16 anos afirma acreditar que o candidato do PSDB é “um homem justo e correto” e que o seu voto será para o tucano “mudar o Brasil”. Segundo ele, essa mudança passa por “não roubar nossa população, que é inocente”. Para Daniel, o novo presidente precisa investir na construção de postos de saúde e escolas.

Essas também são as prioridades para Marcos Magalhães, 16 anos. “Quero a melhora da saúde, educação, moradia e quero mais oportunidade de emprego. Também espero que a corrupção acabe. Com o dinheiro que seria poupado do roubo, teria oportunidades de emprego e cursos”, diz o jovem. Segundo ele, sua vida sempre foi “difícil” por conta da falta de união da família. “Cheguei ao ponto de fugir de casa. Fiquei 14 dias morando na rua”, relata o adolescente que entrou na Fundação em janeiro de 2016.

De acordo com o jovem, ele está pesquisando os projetos dos candidatos para decidir em quem irá depositar sua confiança. “Se eu pretendo a mudança no Brasil, eu tenho que começar com o meu voto, colocando pessoas que vão ajudar”, afirma.

Fernando Almeida, 18 anos, tem o mesmo raciocínio de Marcos. “Eu vou votar porque eu quero um país melhor. Se eu não votar, vou estar dando espaço para pessoas corruptas”, afirma o jovem que nasceu na Bahia e veio com a família aos quatro anos para São Paulo.

“Eu espero um Brasil honesto e justo, que possa ter ordem e progresso. Já que esse é o tema da bandeira, tem que honrar”, diz Fernando, que espera conquistar objetivos de vida quando sair da Fundação. “Quero ter meu carro, minha moto, minha casa, mulher, filhos e um emprego honesto”, conclui.

*Os nomes dos adolescentes foram modificados pela reportagem em respeito ao artigo 143 do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).

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