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'Japonês da Federal' revela que trabalhou como espião para ditadura

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Newton Ishii, o Japonês da Federal, e o jornalista Luís Humberto Carrijo, autor do livro “O Carcereiro”, em foto produzida em julho de 2018. Cassiano Rosário/Futura Press

Newton Ishii, o agente da Polícia Federal que ficou conhecido como “Japonês da Federal” com a operação Lava Jato, revelou ter trabalhado para a ditadura militar, na década de 1970.

“Trabalhei, na época da ditadura militar, em diretório estudantil como infiltrado entre os estudantes. Frequentava as reuniões e depois passava as informações”, afirmou em entrevista ao programa “Conversa com Bial”, na TV Globo.

Apesar de sua colaboração com a ditadura, Ishii afirmou que prefere o período democrático. “Tudo tem sua época. Mas democracia é essencial. Sou contra direita e esquerda”, disse.

Hoje aposentado, Ishii chefiou o grupo da PF responsável por efetuar as prisões da Lava Jato. Dessa forma, a cada fase da operação mais famosa do país, aparecia ao lado de figurões da República, empreiteiros e operadores financeiros.

Imagem do agente Newton Ishii durante a prisão do empresário Marcelo Odebrecht, em 2015. Foto: Cassiano Rosário/Futura Press

A fama rendeu memes ao Japonês da Federal: ele virou marchinha de Carnaval e boneco de Olinda – e também lançou sua biografia.

Na entrevista, Ishii também deu detalhes sobre seu trabalho. Ele teria sido o responsável por ajudar o ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, durante uma crise de depressão no período da prisão.

“Ouvi falar que estava pensando em suicídio e fui conversar com ele. A saúde do preso é responsabilidade nossa”, afirmou.

Ishii também contou que o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu era o detento mais disciplinado e que o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, médico por formação, atendia os presos com problemas de saúde.

Newton foi condenado em 2009 por facilitar a entrada de contrabando no país. Em junho de 2016, ele chegou a ser preso em virtude da Operação Sucuri e passou a cumprir pena em regime semiaberto.

“Cheguei a conduzir presos com tornozeleira eletrônica. Eu e o preso”, recordou.

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