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Marina diz que ataque a Bolsonaro desmoraliza proposta do próprio candidato de armar a população

Reuters

Marina Silva visita ONG no Rio de Janeiro

Marina Silva visita ONG no Rio de Janeiro 11/9/2018 REUTERS/Sergio Moraes

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O discurso do candidato do PSL, Jair Bolsonaro, de armar a população para combater a violência foi desmoralizado pelo ataque a faca ao deputado na última quinta-feira em Juiz de Fora (MG), avaliou a presidenciável da Rede, Marina Silva, nesta terça-feira.

Marina argumentou que permitir o uso deliberado de armas de fogo pela população representaria um grande risco para a sociedade e que o uso de armas de fogo por pessoas despreparadas ou destreinadas não tem o efeito desejado sobre o oponente.

“Do ponto de vista político, o Bolsonaro tem uma visão de segurança que discordo radicalmente que é distribuir armas... a proposta do Bolsonaro foi desmoralizada pelo ato (ataque em Juiz de Fora) e não por um discurso. O ato desmoralizou o discurso de Bolsonaro contra a violência”, disse a candidata da Rede em sabatina realizada no jornal O Globo.

A presidenciável acrescentou que em seu eventual governo vai explorar o maior uso de ações de inteligência para reduzir a criminalidade.

“Temos que temos que primar pela inteligência porque essa abordagem é mais efetiva e não recai sobre o inocente", disse.

"Uma política de segurança pública que vai prender o criminoso e devolvê-lo em condições de se reintegrar e para isso vamos ter que integrar, com sistema de penas alternativas para não ficar em presídios tendo PhD em violência”, defendeu.

Bolsonaro foi esfaqueado na cidade mineira na última quinta-feira quando fazia um corpo a corpo com eleitores. Socorrido, passou por uma cirurgia de emergência na Santa Casa local, sendo transferido no dia seguinte ao hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde segue internado se recuperando.

No Einstein, Bolsonaro polemizou ao ser fotografado simulando armas de fogo com as mãos. Marina disse ter ficado estarrecida com o gesto.

“Ficou mais que provado que ter arma não protege a vida de ninguém", disse a ex-senadora.

"É muito difícil imaginar em um processo político as pessoas sendo estimuladas a portar uma arma em vez de um livro, de ir a um cinema, ser mais criativa", acrescentou. "Fiquei estarrecida vendo o candidato, depois de passar por uma situação dramática de quase perder a vida, fazer um gesto de tiro de dentro de uma UTI."

PESQUISAS

Marina voltou a relativizar os resultados das pesquisas eleitorais, repetindo que elas mostram um momento, mas lamentou seu pouco tempo na propaganda no rádio e na TV.

Pesquisa Datafolha divulgada na noite de segunda-feira mostrou Bolsonaro na liderança com 24 por cento das intenções de voto, seguido por Ciro Gomes, do PDT, com 13 por cento, Marina, com 11 por cento, Geraldo Alckmin (PSDB), com 10 por cento, e Fernando Haddad, virtual candidato do PT, com 9 por cento.

A presidenciável da Rede perdeu 5 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior do Datafolha.

“Pesquisa é retrato de um momento, mas vou continuar debatendo com a sociedade brasileira mesmo pouco tempo de TV e rádio”, disse Marina a jornalistas.

“Infelizmente não consigo ter interação com o eleitor porque tenho só 21 segundos de televisão, mas vou continuar andando para dialogar com as pessoas. Os que criaram o problema não vão resolver o problema”, acrescentou.

Marina ressaltou que agora, com a esperada confirmação de Haddad como presidenciável do PT, a disputa fica mais clara e os verdadeiros candidatos poderão debater e discutir suas idéias. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que liderava as pesquisas eleitorais, foi barrado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com base na Lei da Ficha Limpa.

“É uma determinação da Justiça e do processo político, e agora vamos ter os candidatos tendo que responder polticamente cada um por suas propostas e por aquilo que fez. O PT e o PSDB não vão poder se furtar em responder por que entregaram um país pior do que encontraram”, disse. “O bom é que agora o debate será entre os candidatos e nenhuma candidatura sendo blindada.”

Durante a sabatina, Marina reiterou que pretende valorizar a geração de energia limpa no Brasil, inclusive com novos projetos hidrelétricos desde que sejam respeitadas as terras indígenas e os interesses sociais, e, revelou que pretende criar sítios de geração solar no semiárido brasileiro para gerar emprego e renda em uma das áreas mais carentes do Nordeste.

Se eleita, Marina prometeu também dar representativa às mulheres em cargos importantes do governo federal.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

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