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Meirelles: diga-me com quem andas!

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Foto: Sergio Dutti

Henrique Meirelles é, apesar de sua vasta trajetória pública, um dos candidatos à Presidência com menos intenções de voto. Após sua história com o PSDB e sua fuga do PSD, estabeleceu-se no MDB, um dos partidos mais mal vistos pelo eleitorado (principalmente por sua fama de “dançar conforme a música”), condição que enfraquece a popularidade do presidenciável. Foi presidente do Banco Central na época de Lula e Ministro da Fazenda na época de Temer. Trabalhou em bancos privados em boa parte de sua vida.

Apesar de ter coordenado o Banco Central com viés intervencionista (controlando juros, permitindo que bancos públicos integrassem quadros de acionistas de instituições financeiras com problemas de liquidez, etc.), suas propostas para a gestão do país passam por medidas que amolecem o coração dos liberais: propõe a redução da participação do governo em estatais como Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica (sem falar, infelizmente, em privatizações), apoia as reformas da Previdência e Trabalhista, promete turbinar o investimento na segurança pública, foi o idealizador do teto de gastos que enxugou um pouco da lambança deixada pelo populismo do governo Dilma e também se compromete — o coração liberal dispara! — a cortar gastos públicos, reduzindo verbas e dispensando pessoal.

Diante do contexto, até seu discurso favorável a programas sociais como Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida, consegue agradar à plateia difícil.

Tem a fama muito concisa de ser “um homem do mercado”. No governo de Temer, foi a cola que manteve a aderência entre as duas instituições. Seu perfil integrado com investimentos estrangeiros oferece um atrativo a mais para o eleitor médio: a esperança de ver crescer a participação de empresas estrangeiras em nossa economia, aumentando a oferta e barateando uma variedade imensa de produtos nacionais e iniciativas com reserva de mercado.

Mas, talvez, essa ampla adoração pelo mercado seja pautada pela forma mais bruta de corporativismo. Um dos aspectos de sua trajetória que mais esquenta a cabeça dos liberais brasileiros é a sua participação direta na gestão de empresas controladas pelos irmãos Batista, da JBS — fato que, por si só, é uma ameaça à reputação de qualquer um. Meirelles já teve sua cota de denúncias por lavagem de dinheiro e de testemunhos na Operação Lava Jato, onde defendeu o encarcerado Lula em mais de um processo em que é réu.

Também teve, por sinal, um presente destinado a ele pelo seu amigo: em épocas idas de denúncias passadas, Lula editou uma Medida Provisória para conceder a Meirelles, então presidente do Banco Central, privilégios de Ministro. Neste caso, no entanto, não houve áudio vazado aliciando o Bessias — o STF endossou a medida. Mas, a semelhança estratégica com a tentativa de empossar Lula como Ministro da Justiça para fugir de Moro é inegável.

Apesar da trajetória marcada por suas relações estreitas com Lula, Dilma, Temer e os irmãos Batista, no papel, Meirelles é bom. No histórico, é razoável. O problema são as companhias.

Como diria a minha avó: Diga-me com quem andas e te direi quem és.

Mariana Diniz Lion (@maridinizlion) é formada em Direito pela FMU, pós-graduada em Economia Austríaca pelo IMB e especialista do Instituto Mises Brasil

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