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MP promete devassa no sistema prisional do Rio de Janeiro

Vladimir Platonow - Repórter da Agência Brasil
Agência Brasil

Rio de Janeiro - O procurador-geral de Justiça do Ministério Público do Rio, Eduardo Gussem, a promotora Andrea Amin, coordenadora do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública, e o secretário estadual de Administração Penitenciária, David Anthony, falam sobre a investigação das regalias no Presídio José Frederico Marques, em Benfica (Fernando Frazão/Agência Brasil)

O procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Eduardo Gussem, prometeu uma devassa no sistema prisional do estado. Ele fez o anúncio nesta quarta-feira (7), durante coletiva no Ministério Público (MP) sobre a descoberta de seis celas finamente decoradas, destinadas a visitas íntimas no Presídio José Frederico Marques, em Benfica, onde ficam os presos da Lava Jato.

“As questões ligadas à Benfica, as questões ligadas à administração penitenciária, são muito mais complexas do que essas que eventualmente pareçam. Estamos, em conjunto com o secretário [de Administração Penitenciária] David Anthony, fazendo uma devassa nos contratos relativos à Secretaria de Administração Penitenciária [Seap]. O que era para ser exceção, virou regra, 75% dos contratos são renovados sem licitação ou com compras diretas. São questões graves, que não se atém somente a possíveis benefícios e regalias nas unidades prisionais”, disse Gussem.

Os quartos para visitas íntimas em Benfica, unidade onde já esteve preso o ex-governador Sérgio Cabral, atualmente em prisão federal em Curitiba, chamaram a atenção do MP durante inspeção feita em fevereiro, após denúncia anônima de que haveria um “motelzinho” no local, segundo informou a promotora Andrea Amin. A decoração dos quartos incluía piso em porcelanato branco, colchão de molas, coração pintado na parede rosa e até televisão.

“Encontramos no quarto andar esse parlatório, que não era do nosso conhecimento. Fica numa área que estava sempre em obras, era sempre fechado. O informe anônimo era de que seria um espaço utilizado por presos, indevidamente. Nós não estamos limitando a nossa atuação à lâmpada vermelha, coração na parede ou cama de colchão box e tevê. Isso é um ponto, um dado. As investigações não se limitam a um espaço para visitas íntimas”, ressaltou Amin.

O secretário David Antony, que tomou posse recentemente, revelou que 27 presos tinham autorização legal para usar os quartos de visitas íntimas, sendo dois da Lava Jato. Ele disse que não teme tomar medidas duras para sanear o sistema.

“Fizemos uma varredura em todas as celas e encontramos muito material. Com o pessoal da Lava Jato, foi encontrado R$ 10 mil. Essa missão é um desafio, encaro como uma oportunidade profissional. Eu me vejo preparado para enfrentar essa missão. Tenho mais de 20 anos de polícia”, disse Anthony.

O procurador-geral de Justiça, Eduardo Gussem, disse que o ex-secretário da Seap coronel Erir Ribeiro será chamado a dar esclarecimentos.

Texto alterado às 20h08 para corrigir informação no quinto parágrafo. Diferentemente do informado, o secretário David Antony não foi indicado para o cargo pelo interventor na área de segurança do Rio, general Braga Netto.

 

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