Update privacy choices
Notícias

Na internet, feminismo achou campo fértil para semear seus ideais

Yahoo Notícias
Letticia Muniz é comediante e influenciadora digital (Reprodução)

Por Bruna Somma

Vai de Copinho, no canal da Jout Jout. Fui vendo vários outros vídeos dela e percebendo que eu concordava com tudo aquilo. Antes eu nem sabia que dava para ser feminista”. O vídeo em questão, que aborda coletores menstruais, foi a porta de entrada responsável por fazer Raquel Mendes, 15 anos, conhecer o feminismo. “O acesso facilitou muito esse contato”, afirma.

Com a crescente popularização da internet, há naturalmente o processo de ocupação das dinâmicas sociais nela. Segundo Michely Coutinho, escritora e produtora da Associação Mulheres na Comunicação, “ela [internet] é hoje como uma rua, um espaço público. As lutas nela ganharam mais visibilidade e mobilização.” Isso explica o aparecimento de alguns termos nas manifestações feministas virtuais: misoginia, cultura do estupro, feminicídio — as práticas sempre existiram, a diferença é que agora há a possibilidade de mais gente possuindo acesso à pesquisa dos seus significados.

Mainsplaining, por exemplo, retrata um homem usar muito do seu tempo explicando a uma mulher algo que é visivelmente óbvio. Para Carolina Oms, diretora de redação da revista feminista AzMina, o uso de termos em inglês, que se dá naturalmente pela continuidade do feminismo nas redes sociais, se caracteriza como uma atitude elitista. Faz com que haja um movimento excludente dentro na própria luta, visto que há uma grande parcela de mulheres no Brasil que, além de não dominar o idioma, não possui acesso prático à internet.

Em um país como o Brasil, ocupante da quinta posição dos 83 países com os maiores índices de feminicídio do mundo, segundo o Mapa da Violência, algumas das principais funções da internet é aproximá-las entre si e democratizar informações. Embora também haja a possibilidade de ocorrer o contrário. “As pessoas se sentem mais à vontade para destilar ódio”, diz Helô D’Angelo, editora do Eu, Tu, Elas.

Letticia Munniz, comediante e influenciadora digital que inclui assuntos feministas em seu canal no YouTube, considera que as redes são capazes de conduzir a ideologia à lugares onde ela ainda não havia chegado ou sido compreendida. “Na maior parte do tempo as mulheres que me procuram estão em crise por estarem sendo reprimidas. Elas precisam de alguém para falar que não é errado o que querem fazer, e que possuem o direito de serem livres”, conta a youtuber.

Mas não só por meio de sites feministas (em sua maioria mantidos como ONGs) e canais no Youtube que se faz a união feminina na internet. Ela também está presente na maioria das redes sociais, através de comunidades nomeadas no Facebook como “Não me Kahlo” (referência à Frida Kahlo, pintora e ativista da causa), “Feminismo sem Demagogia”, “Moça, você é machista”, entre outras diversas. A expressão continua na presença de hashtags e campanhas, tais como #ChegaDeFiuFiu e #PrimeiroAssedio, idealizadas pelo site Think Olga.

Oms acredita que em um veículo de imprensa tradicional não haveria a liberdade de mulheres pautarem assuntos que julgam relevantes, além de que o capitalismo transforma o movimento em um mero produto. “Parece haver um consenso nos meios de comunicação de massa sobre o assunto. As revistas femininas que hoje tratam de feminismo muito eventualmente querem apenas estar na onda”, diz.

Para Juliana de Faria, jornalista criadora do Think Olga, a internet faz um bom trabalho popularizando a causa, mas não basta somente isso: “O objetivo é que cada mulher que receba as informações possa ser multiplicadora em seus microuniversos.”

Reações

Leia também