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No Canal Livre, Haddad erra ao comentar intenção de voto em Lula

Agência Lupa
Yahoo Notícias
AFP

Chico Marés e Clara Becker

Edição: Natália Leal e Cris Tardáguila

Ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação, Fernando Haddad é o vice na chapa de Lula. O PT registrou a candidatura do ex-presidente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas ele está preso em Curitiba desde abril – e não há certeza de que poderá seguir na disputa. Assim, Haddad herdaria o posto, com Manuela D’Ávila (PCdoB) como vice. Na última segunda-feira (20), Haddad concedeu entrevista ao programa Canal Livre, da Band, e a Lupa checou algumas de suas declarações. Veja o resultado:

“Mais de 50% dos eleitores votariam ‘Lula’ no segundo turno em qualquer cenário, contra qualquer adversário”

Fernando Haddad, candidato à vice-presidência pelo PT, em entrevista ao Canal Livre, da Band, no dia 19 de agosto de 2018

FALSO

Entre as pesquisas de intenção de voto registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e divulgadas antes da entrevista de Haddad ao Canal Livre, apenas uma mostra um cenário em que Lula tem a preferência de “mais de 50% dos eleitores”. É a CUT/Vox Populi, de 26 de julho. Nela, o petista aparece com 52% das intenções de voto na possibilidade de um segundo turno contra Geraldo Alckmin (PSDB), que teria 10%. Mesmo neste levantamento, contra outros candidatos, Lula ficaria com 50% das intenções de voto: contra Ciro Gomes (11%), Marina (12%) e Bolsonaro (16%). A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.

Nas demais pesquisas, o índice de preferência de Lula entre os eleitores não atinge 50%. Na mais recente delas, a 13ª rodada da pesquisa XP Investimentos/Ipespe, publicada na última sexta-feira (17), o candidato do PT aparecia com 43%, e Bolsonaro, com 34% no único cenário de segundo turno envolvendo o petista. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais. Lula também aparece com 43% nos dois cenários de segundo turno medidos pelo instituto Real Time Big Data, publicados no último dia 13 – contra Bolsonaro (34%) e Alckmin (31%). No Datafolha de 11 de junho, Lula faz 49% contra Alckmin (27%) e Bolsonaro (32%) e 46% contra Marina Silva (31%). A margem de erro em ambas as pesquisas é de dois pontos percentuais.

Na última segunda (20), depois da entrevista, o levantamento da CNT/MDA mostrou Lula numericamente abaixo de 50% das intenções de voto em três dos quatro cenários de segundo turno apresentados.

Procurado, Haddad não retornou.

“A The Economist, que é uma revista liberal, diz que o Brasil é o único lugar no mundo que o banco (…) ganha na expansão e na retração [da economia]”

Fernando Haddad, candidato à vice-presidência pelo PT, em entrevista ao Canal Livre, da Band, no dia 19 de agosto de 2018

EXAGERADO

Haddad se refere a artigo publicado na edição de 2 de agosto de 2018 da revista The Economist, intitulado, em sua versão online, “Bancos brasileiros: lucrativos em qualquer clima econômico”. O texto diz que os bancos brasileiros ganham em momentos de expansão e de retração da economia e sugere que o funcionamento do setor bancário no país é anormal. No entanto, não diz, literalmente, que se trata de uma situação única no mundo.

“Na recessão, nem o Itaú Unibanco, nem o Bradesco, os dois maiores [bancos privados], viram sua rentabilidade dos capitais próprios (…) abaixo dos 15,9%”, diz o artigo. “A maioria dos bancos europeus não atingem os dois dígitos”.

O artigo pontua que as “distorções” do mercado financeiro, incluindo a força dos bancos públicos, têm consequências positivas e negativas para os bancos. Para pessoas físicas e pequenas empresas, porém, essas distorções significam que os empréstimos são “mais baixos [em volume] e mais caros do que deveriam”.

Procurado, Haddad não retornou.

“Nós [PT] tínhamos 11 vereadores em 55 [eleitos para a Câmara de São Paulo]”

Fernando Haddad, candidato à vice-presidência pelo PT, em entrevista ao Canal Livre, da Band, no dia 19 de agosto de 2018

VERDADEIRO, MAS

Haddad se referia ao apoio que ele tinha na Câmara de Vereadores quando foi prefeito da capital paulista. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, o PT elegeu 11 vereadores em 2012 – quando Haddad também conquistou a prefeitura de São Paulo. Mas a base aliada de Haddad era bem maior do que isso. Nos três primeiros anos de sua gestão, ele chegou a ter o apoio de 42 dos 55 vereadores da casa.

“Aprovamos tudo aqui em São Paulo. Não tivemos um projeto meu que não foi aprovado na Câmara”

Fernando Haddad, candidato à vice-presidência pelo PT, em entrevista ao Canal Livre, da Band, no dia 19 de agosto de 2018

FALSO

Em quatro anos como prefeito de São Paulo, Haddad apresentou 151 projetos de lei. Desses, 25 não foram sequer votados. Durante a gestão do petista, 116 projetos do executivo de Haddad foram aprovados pelo plenário da Câmara sete deles já na gestão João Doria – e outros 10, retirados pelo governo municipal (três na própria gestão Haddad, sete na de Doria). Nenhum projeto proposto pela administração petista foi derrotado em plenário no período em que Haddad comandou a cidade.

Procurado, Haddad não retornou.

“O Piauí ficou em segundo lugar no ranking de eficiência [nos gastos] no quesito segurança pública”

Fernando Haddad, candidato à vice-presidência pelo PT, em entrevista ao Canal Livre, da Band, no dia 19 de agosto de 2018

VERDADEIRO

O Ranking de Eficiência dos Estados, recém lançado pela Folha de S.Paulo e pelo Datafolha, mostra quais estados entregam mais educação, saúde, infraestrutura e segurança à população, utilizando o menor volume de recursos financeiros. No quesito segurança, o estado do Piauí ficou em segundo lugar, atrás apenas de Santa Catarina.  

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