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Novo presidente precisará reduzir número de feminicídios e de violência contra a mulher

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Pixabay

Por Giorgia Cavicchioli

De acordo com o 11º Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2017, uma mulher é assassinada a cada duas horas no Brasil. Para evitar que mais mulheres sejam mortas no Brasil, é preciso que o novo presidente tenha em mente que os números de violência doméstica têm que diminuir.

A pedagoga Maria Aparecida da Silva Souto, 50 anos, é uma sobrevivente. “Eu poderia estar morta, eu poderia ser um número”, afirma. Ela viveu uma relação abusiva durante quatro anos e acredita que o próximo presidente precisa fazer com que as leis para homens que agridem suas companheiras sejam mais rígidas e colocadas em prática. “A mulher vai na delegacia e faz o boletim de ocorrência. Isso quando ela consegue, quando é bem tratada. Às vezes ela nem consegue fazer isso. Ela já chega machucada, magoada, pedindo socorro e não é socorrida por quem deveria ser protegida”, observa.

Ela mesma passou por uma situação parecida em uma delegacia, quando foi denunciar seu agressor. O policial perguntou para ela se ela tinha um amante e o que ela tinha feito de errado. Mas o problema era o ex-parceiro dela, com quem se casou aos 17 anos e vivia uma vida feliz, até que ele começou com as primeiras agressões. “Veio o primeiro grito, o primeiro empurrão, o primeiro tapa…”, recorda. As violências contra ela foram muitas: desde ser queimada com cigarro, até ser obrigada a comer comida do chão.

Além disso, Maria também foi abusada sexualmente pelo ex-companheiro e afirma que não podia tomar pílula anticoncepcional porque, na cabeça do agressor, ela estaria traindo dele se usasse o método contraceptivo. Por isso, ela afirma que o novo governo precisa se preocupar com a vida das vítimas de violência doméstica.

“Se tiver uma medida protetiva, que ela seja realmente cumprida, que o agressor seja punido, que seja levado para a delegacia”, afirma a vítima que teve coragem para denunciar o seu agressor quando ele jogou o filho dela contra a parede. “Aí o negócio ficou feio”, diz.

Segundo ela, também é preciso que o novo presidente renove a secretaria da mulher com pessoas “competentes e habilitadas para o atendimento de mulheres que sofrem”. Para Maria, é preciso que existam pessoas preparadas para o atendimento de mulheres vítima de violência doméstica. “Precisa também de mais abrigos para essas mulheres irem com seus filhos”, diz.

“Não adianta você mandar uma mulher que sofreu violência doméstica, que está sendo agredida de uma forma brutal, para um local que ela também será agredida verbalmente, na postura das pessoas”, afirma a pedagoga. “Nenhuma mulher quer apanhar, nenhuma mulher quer sofrer violência”, conclui.

A advogada Gabriela Biazi, da Rede Feminista de Juristas, concorda com a visão da vítima. Segundo ela, expandir e qualificar a rede de atendimento a mulheres em situação de violência precisa fazer parte de uma agenda mínima para avançar no enfrentamento desse tipo de crime.

Além disso, Biazi diz que também é preciso “garantir a implementação de políticas de prevenção, como a discussão sobre papéis de gênero e violências nas escolas e demais instituições”. Ela também destaca a importância de se fazer um diagnóstico aprofundado e cuidadoso sobre a realidade das mulheres negras no Brasil para combater as vulnerabilidades específicas do grupo.

“Mulheres negras têm direitos negados em diversas esferas, como nos serviços de saúde, de educação, de assistência social, entre outros. Por isso, ficam especialmente vulneráveis às consequências da violência doméstica”, afirma.

A advogada Thayná Yaredi, que também faz parte da Rede Feminista de Juristas, diz que a disparidade de mulheres negras e brancas que sofrem violência precisa ser considerada. “É necessário observar a necessidade de construir uma política pública que leva em consideração a subjetividade das mulheres”, pondera.

Para Thayná, é imprescindível a expansão de locais de abrigo para mulheres seja feita a partir de uma análise interna, procurando ouvir as pessoas envolvidas na situação: mulheres e funcionários que acolhem as vítimas.
“Uma política de qualidade só pode ser feita acertadamente a partir de uma escuta de qualidade no sentido de compreender o que é preciso para as pessoas que estão vivenciando a situação”, conclui.

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