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Número de candidaturas de pessoas negras aumenta 12% em quatro anos, segundo TSE

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jose lucena/Futura Press

Por Giorgia Cavicchioli

Mulheres e homens negros querem cada vez mais ocupar os espaços de poder no Brasil. Levantamento feito com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e atualizados até o dia 21 de agosto de 2018 mostra que o número de candidatos pretos e pardos aumentou em 11,7% em relação ao ano de 2014.

Há quatro anos, eram 11.580 candidatos negros. Nessas eleições, foram registrados 12.939, o que representa 1.359 candidaturas a mais. A variação de homens negros é maior do que a de mulheres: eles são 14% a mais, enquanto elas são 8%.

Quando é feita uma comparação com candidaturas de pessoas brancas, o aumento é menor, de 2,5%. No caso dos homens brancos, que são maioria hoje em dia no poder público, o aumento foi de 2%. Quando se analisa o aumento de mulheres brancas no pleito, esse número é um pouco maior: 3%.

Vagner Garcez Soares (PPS) é um desses novos candidatos. “O número aumentou pouco, mas já significa. A gente tem que pensar que os negros sempre estiveram aí”, afirma. Ele é candidato à deputado federal pelo Rio Grande do Sul e professor de geografia. Aos 35 anos, afirma que sua vida foi trilhada dentro do coletivo negro e de programas de diplomacia.

Soares explica que uma de suas maiores preocupações como candidato é melhorar a situação da educação no estado. Vindo de uma família de classe média, ele estudou da primeira à quarta série em um colégio particular, mas uma mudança para a rede pública de ensino o fez sentir na pele quais as necessidades para que a área melhorasse. Em sua visão, o ambiente é muito racista e, quanto mais pobre o aluno, piores as condições que ele tem para estudar. “A escola não sabe lidar com o aluno preto e pobre. Sempre foi uma coisa que percebi”, constata. Para Vagner é importante que exista maior integração e inclusão da população negra.

O professor tem como principais propostas fazer com que a própria academia pesquise sobre as escolas; assim seria possível apresentar novas metodologias, melhorar a parte cultural, aumentar o empreendedorismo e ampliar o turismo para dar melhores condições de vida para os moradores e a juventude local.

De acordo com a empresária Michelle Guimarães (PR), que é candidata à deputada federal pelo estado do Amazonas, sua experiência como executiva por cerca de dez anos a fez entender que é preciso entregar resultados mesmo em um cargo público. Ela afirma, no entanto, que o ambiente político pode ser intimidador para a mulher.

“Mas eu não pedi permissão para ocupar esse espaço. Eu busquei as ferramentas para ocupar”, afirma a empresária, que tem 33 anos e um filho de três anos. “Se eu não tivesse meu marido, minha sogra e minha mãe, talvez eu repensaria a candidatura. O apoio da família é importante (para a mulher)”, diz. Segundo ela, o caminho da mulher na política é mais difícil de se trilhar, embora não seja impossível.

Michelle conta que começou a pensar melhor sobre a necessidade de políticas públicas eficientes quando sua mãe teve câncer de mama, em 2009. “Eu banquei grande parte desse tratamento. Ou era isso, ou minha mãe morria”, afirma. Quando a mãe ficou totalmente curada, em 2014, Michelle tomou a decisão de conhecer mais a política.

A candidata afirma ter como principais propostas reduzir a burocracia, ampliar o combate à corrupção e implementar uma gestão eficiente. “Também quero trazer o mandato para perto da população, dialogar. Tem que ouvir a demanda de quem vive. O cliente final é ele, somos todos nós”, diz Michelle, acrescentando acreditar, atualmente, na existência de um abismo entre classe política e a população.

Embora não tenha vindo do movimento negro, a contadora Bruna Barros (PV), candidata à deputada estadual por São Paulo, acha importante ter mulheres negras e qualificadas dentro da política. “As mesmas práticas levaram o país ao estado em que está hoje. Minha esperança é que tenha mais mulheres, renovação e representação”, diz.

Tratando o racismo como um problema estrutural no Brasil, Bruna alega atrair pouca ou nenhuma expectativa das pessoas em um primeiro momento — ela alega que sequer procuram saber mais sobre seu currículo. “A gente tem o machismo e o racismo. Na assembleia de São Paulo só teve duas mulheres negras. Estamos bem atrasados. Não tem representatividade e ponto”, observa.

Com 31 anos, a candidata a uma vaga na Assembleia ingressou no mercado de auditoria e estudou gestão pública. Hoje, afirma ter como prioridade estruturar a educação em São Paulo: “Eu estudei em colégio privado até a quinta série e, quando entrei na escola pública, vi que ela estava muito a quem.”

Se for eleita, Bruna garante que irá, principalmente, endossar a fiscalização sobre as políticas públicas que já existem na educação. Se o país aplicar as leis que existem, diz, a educação será muito melhor.

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