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"O Congresso Nacional é refém dos conservadores", diz Marta Suplicy

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Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Após anunciar sua saída do MDB e desistência em disputar cargos eletivos, a senadora Marta Suplicy (MDB), 73 anos, declarou que um dos motivos que a levou a tomar tais atitudes foi a dificuldade em lidar com congressistas cada vez mais conservadores e que, segundo a própria, serão reeleitos nestas eleições. A decisão, anunciada após 37 anos de trajetória política, foi tomada simultaneamente à recusa em assumir o posto de vice-presidente na chapa de Henrique Meirelles, com quem disse não ter nenhuma afinidade.

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“Primeiro, sinto uma sensação de missão cumprida. Depois, a percepção de que o Congresso Nacional é refém dos conservadores. Nos últimos anos, tenho me esforçado e gastado energia em barrar o retrocesso civilizatório. Comecei a questionar o que que eu estava fazendo ali. Lá fora, posso contribuir mais. E mais: os eleitos nestas eleições, vão ser os mesmos. Ou vai ser pior ainda, porque vão eleger gente ligada ao militarismo, de religiões muito conservadoras. Isso se não entrarem grupos organizados do mal”, disse a parlamentar em entrevista à revista Marie Claire.

Conhecida por ter sido uma das grandes defensoras dos direitos das mulheres e de causas LGBT na vida política, Marta também criticou o ambiente do Legislativo pelo posicionamento em algumas das pautas pelas quais militou.

“Um vértice do aborto é o direito da mulher à autonomia de seu próprio corpo, e isso é fundamental na questão de gênero”, disse. “Basta olhar para o Congresso pra entender porque não avança”, acrescentou.

Sobre a mudança do PT para o MDB, em 2015, após 34 anos de partido, a senadora se diz em paz com a decisão e afirma ter sido uma ação condizente às críticas que passou a ter dentro da sigla, principalmente em relação ao governo de Dilma Rousseff, ao qual classificou como “incompetente”. Apesar da troca, negou ter optado por deixar a vida parlamentar por integrar uma legenda com grande ala conservadora.

“O MDB é um partido plural e você tem total liberdade. Então, não sinto essas amarras. Agora em relação, por exemplo, ao casamento LGBT, teve uns problemas, mas no Senado, não com o MDB, necessariamente. Se fosse o PT, teria dado um apoio para a coisa rolar. No MDB não senti nenhum impedimento, mas não teve uma posição de governo. Porque quando existe essa posição de governo, a coisa rola”, explicou.

Ao deixar o Senado e a vida partidária, contudo, Marta alega que não vai se afastar da militância política: “Quero falar para a massa. Gosto de massa. É aí que a gente influencia. Tem uma coisa que pensei também: estou interessada em empoderamento de meninas. Muito interessada. Porque daí virá uma mudança grande.”

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