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Pancadas de Alckmin em Bolsonaro surtirão efeito? No PSDB, há quem discorde

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Paulo Lopes/Futura Press
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Em sua estreia na TV, Geraldo Alckmin partiu com os dois pés para cima de Michel Temer e Jair Bolsonaro. Com mais tempo de exposição, o tucano tem usado a propaganda para se descolar do governo mais impopular da história e desconstruir o adversário do PSL com menções indiretas (“os problemas não se resolvem na bala”) e petardos nada sutis (“quem não respeita as mulheres não merece o respeito das mulheres”).

A estratégia nessa fase de campanha parece clara e tem explicação. Temer é um ex-aliado tóxico do qual qualquer um precisa se livrar, embora o PSDB e as siglas coligadas a Alckmin tenham apoiado o impeachment e alocado seus quadros em diversos ministérios, entre eles o de Relações Internacionais. A troca pública de gentilezas entre eles, iniciada pelo ex-vice-decorativo, que se pronunciou publicamente para ressaltar as digitais tucanas em seu governo, é imperdível.

Bolsonaro, por sua vez, tem mais projeções de voto no Sul e no Sudeste, velhos redutos tucanos, do que o ex-governador paulista, que última pesquisa Ibope não chega a dois dígitos nas intenções de voto (9%, para ser mais exato).

Nos últimos dias, alguns sinais parecem demonstrar que a estratégia não tem surtido efeito. Bolsonaro foi recentemente recebido por um barão da imprensa. E, segundo Brian Winter, editor-chefe da revista Americas Quarterly, muita gente em Wall Street começa a torcer pela vitória do deputado.

O ex-capitão, hoje, é o mais viável candidato anti-PT. Mais: já disse que topa seguir com as privatizações e políticas de diminuição do Estado iniciadas no governo Temer. A proposta petista vai em outra direção – e causa alvoroço entre os donos do dinheiro.

Eles até preferiam Alckmin, mas acompanham com apreensão o movimento do tucano para quebrar a estagnação nas pesquisas.

Diante disso, Fernando Henrique Cardoso, oráculo tucano, já disse o que acha em entrevista à Folha de S.Paulo no domingo. Para ele, Bolsonaro já está no segundo turno e é desperdício gastar a artilharia com ele.

“A competição neste momento vai ser entre PT e PSDB. Aceitando que o sentimento bolsonarista vai se manter, para ir para o segundo turno, é PT e PSDB. Tradicionalmente, a disputa ia ser PT e PSDB no segundo turno. Agora, eu acho que será para ver quem vai para o segundo turno”, previu.

Ou seja: a briga do tucano deve ser com quem ainda tem chance de conseguir uma segunda vaga para a fase final da disputa. Uma está garantida.

Atualmente, Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT) estão à frente do tucano. Fernando Haddad (PT) tem 6%, mas deve abrir vantagem caso uma fração de apoio a Lula, impedido de concorrer, migre para ele.

Pela avaliação de FHC, é hora, portanto, de se firmar como o nome antipetista em vez de antibolsonaro. Resta saber se há tantos votos anti-PT a ponto de colocar dois adversários da legenda no segundo turno.

Em condições normais, seria cedo para qualquer conclusão. Mas essa não é uma disputa normal. Estamos a praticamente um mês da eleição.

Em tempo. Na última coluna, escrevi erroneamente que o candidato do Partido Novo, João Amoêdo, não havia se posicionado sobre o incêndio no Museu Nacional nas horas seguintes à tragédia. Faço aqui a correção com o que ele disse no Twitter: “É muito triste ver o nosso patrimônio histórico em chamas. Esse é o resultado da falta de gestão e do abandono político que vivemos no Rio de Janeiro e em todo o Brasil. Precisamos nos envolver na política para fazer a diferença e evitar situações lamentáveis como essa”.

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