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Planos de Marina para Previdência e gastos em saúde: erros de Eduardo Jorge na Globonews

Agência Lupa
Yahoo Notícias
Reprodução

por LEANDRO RESENDE E NATHÁLIA AFONSO

06.SET.2018 |   08H57  |

O médico e sanitarista Eduardo Jorge (PV), candidato à vice-presidente na chapa de Marina Silva (Rede), foi entrevistado no programa Central das Eleições, da Globonews, na noite da quarta-feira (5). Na segunda, Kátia Abreu, vice de Ciro Gomes, foi sabatinada, abrindo a série que se estende até sexta. Na terça, foi a vez de Ana Amélia, vice de Geraldo Alckmin.

Veja a seguir as checagens que a Lupa fez, a partir de algumas das declarações de Eduardo Jorge:

“Marina concorda com essa unificação no horizonte [de novas idades mínimas para a aposentadoria de homens e mulheres]”
Eduardo Jorge (PV), candidato à vice-presidente na chapa de Marina Silva (Rede), em entrevista ao Central das Eleições, da Globonews, no dia 5 de setembro de 2018

FALSO

Ao ser questionado sobre a Previdência Social, Eduardo Jorge lembrou uma proposta, de sua autoria, que, nos anos 1990, pretendia igualar as idades mínimas de aposentadoria para homens e mulheres. O texto, entretanto, nunca foi aceito.

No último dia 30, Marina Silva concedeu entrevista ao Jornal Nacional, e foi bem clara sobre sua posição com relação a esse assunto. Prometeu que manterá a diferença da idade mínima para aposentadoria entre os dois sexos e, em momento algum, abordou a possibilidade de haver uma equiparação entre os sexos no futuro. Na bancada do programa, a candidata da Rede à Presidência da República disse: “Vamos encarar o problema da idade mínima. Isso é um debate que está acontecendo no mundo todo. E eu vou mais além: no problema da idade mínima, nós vamos manter a diferença entre homens e mulheres”.

Além disso, vale destacar que, no programa de governo que registrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marina tem um capítulo dedicado à Reforma da Previdência. Nele, trata sobre a necessidade de discutir e fixar uma idade mínima para aposentadoria, mas também não faz qualquer menção à possibilidade de equiparação de idades para aposentadoria entre os dois sexos, como afirmou Eduardo Jorge na Globonews. No texto, indica apenas que, se eleita, apresentará uma proposta de reforma da Previdência que seguirá “uma tendência mundial, com prazo de transição que não prejudique quem está prestes a se aposentar”.

Procurado, Eduardo Jorge afirmou que o programa de governo “vem sendo mais detalhado ao longo da campanha”.

“R$ 3 por pessoa por dia. É isso que o Brasil dá para o SUS trabalhar”
Eduardo Jorge (PV), candidato à vice-presidente na chapa de Marina Silva (Rede), em entrevista ao Central das Eleições, da Globonews, no dia 5 de setembro de 2018

SUBESTIMADO

Eduardo Jorge puxou para baixo um dado que os especialistas em saúde já consideram baixo e longe do ideal. Levantamento publicado em 2016 pelo Conselho Federal de Medicina mostra que, em 2014, o governo gastou R$ 3,89 por dia com a saúde de cada brasileiro – um total de R$ 1.419, 84 por pessoa, naquele ano. Em 2013, o gasto havia sido um pouco maior, de R$ 3,96 por dia. Na época da publicação desse estudo, feito em parceria com a ONG Contas Abertas, o CFM comparou os dados obtidos com os da Organização Mundial da Saúde (OMS) e concluiu que o investimento per capita feito pelo Brasil em saúde tinha ficado 70% abaixo da média dos países das Américas em 2013.

Procurado, Eduardo Jorge disse que o número citado soma os gastos federais, estaduais e municipais em 2015 e considera “os valores orçados abatidos (…) os não realizados e contingenciados”, com base em estudo do IBGE, mas sem levar em conta a inflação. O candidato também destacou o limite do teto dos gastos da União: “Até o final do período de vigência da lei a perda per capita será de 11,4% ou mais”, afirmou.

“A Marina já disse: (…) ‘não sou candidata à reeleição’”
Eduardo Jorge (PV), candidato à vice-presidente na chapa de Marina Silva (Rede), em entrevista ao Central das Eleições, da Globonews, no dia 5 de setembro de 2018

VERDADEIRO

Em junho deste ano, a candidata da Rede à Presidência da República, Marina Silva, afirmou que, se eleita, governará o país durante quatro anos e não tentará se reeleger. Segundo ela, a reeleição se tornou um “grave problema” para o Brasil. Em sabatina realizada pela Folha de S.Paulo, SBT e UOL na última terça-feira (4), Marina defendeu que se faça uma reforma política para proibir a reeleição do Presidente da República. Contudo, para ela, o período do mandato presidencial deveria se estender de quatro para cinco anos .

“Do ponto de vista da saúde do planeta, a pecuária é uma atividade nociva. É uma atividade altamente [geradora de] efeito estufa”
Eduardo Jorge (PV), candidato à vice-presidente na chapa de Marina Silva (Rede), em entrevista ao Central das Eleições, da Globonews, no dia 5 de setembro de 2018

VERDADEIRO

O relatório de 2018 feito pelo Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa, mantido pelo Observatório do Clima (rede de 37 entidades da sociedade civil formada com o objetivo de discutir as mudanças climáticas), informa que, entre 1990 e 2016, as emissões brutas de gases de efeito estufa (GEE) do Brasil tiveram um aumento de 32% e que a atividade agropecuária é a principal fonte de gases de efeito estufa no país, respondendo por 74% das emissões. A versão do documento que trata apenas desse setor mostra que, entre 1970 e 2016, as emissões do setor agropecuário aumentaram 165%, que o país é o terceiro maior emissor global de gases de efeito estufa por agropecuária, atrás apenas de China e Índia e que “a bovinocultura de corte é uma das principais responsáveis pela expansão da fronteira agropecuária e também a principal fonte de emissão de GEE do setor, respondendo por 69% das suas emissões totais”.

Editado por: Cristina Tardáguila e Natália Leal

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