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Preocupação ou terrorismo eleitoral: o que explica a tensão dos mercados após as pesquisas?

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Bolsa em queda, dólar em alta. Você já viu esse filme antes – e se já viu é porque o tal mercado anteviu algum cenário para as eleições de outubro que os números das pesquisas divulgadas na semana ainda não dizem claramente. Provavelmente uma avenida para Fernando Haddad, virtual candidato do PT, até o segundo turno, provavelmente contra um candidato que não sabe ligar lé com cré quando tenta dizer o que pretende fazer como presidente.

A história se repete, mas a tragédia é ainda um fantasma. Em 2002, a possibilidade de vitória de Lula causou alvoroço parecido nos mercados. Parecido, mas não igual.

Nesta semana, o dólar passou a valor R$ 4, o maior valor de fevereiro de 2016. A Bolsa passou a operar em queda.

O mesmo aconteceu em 2002. Naquele ano, porém, o patamar alcançado pela moeda americana correspondia, em valores atualizados, a cerca de R$ 10. O alvoroço, portanto, era maior, apesar da Carta ao Povo Brasileiro, lançada por Lula em junho daquele ano para defender a estabilidade, o controle das contas públicas e da inflação como “um patrimônio de todos os brasileiros”. Era um antídoto para acalmar o mercado.

Desta vez, não tem Carta nem bandeira branca à vista. O plano de governo petista fala em revogar “as medidas do governo golpista”, como legislações e privatizações, e democratizar os meios de comunicação de massa – duas guerras declaradas contra cachorros grandes.

No documento com os eixos temáticos do plano de governo, não há menção à reforma da Previdência, o grande nó do futuro governo.

A situação atual, portanto, é bem distinta daquela de 16 anos atrás e não se sabe se, no horizonte, o discurso em defesa da moderação caberá na campanha. O segundo turno que se desenha é movido novamente por duas engrenagens: o petismo e o antipetismo.

Como chegamos até aqui?

O último governo do PT, vale lembrar, se queimou com a turma da grana porque foi considerado intervencionista demais, sobretudo em razão das desonerações e do uso da Petrobras como instrumento de controle inflacionário.

Temendo a volta dos que não foram, os mercados voltam a dar sinais de tensão. Tem movimentos especulativos que aproveitam a volatilidade dos preços para comprar dólares e vender ações? Tem. Mas tem também os que, diante da dificuldade de prever o que acontecerá com o país, evitam se expor ao risco.

Como sempre diz um amigo, especialista nestes movimentos, o tal mercado é a soma das expectativas que se manifestam em tempos de eleição, embora, na gritaria, haja muito de manada, de tentativa de se antecipar aos fatos e, claro, de desejo de ganhar dinheiro.

Na última eleição, Dilma Rousseff comprou briga com um grande banco que previu o caos se ela se reelegesse. O episódio já evidenciava o desconforto dos investidores em relação à política econômica de seu governo, mas não era blefe.

Na época, diante das desconfianças dos dois lados e na falta de uma Carta ao Povo Brasileiro, ninguém sabia ainda até onde os dois lados estavam dispostos a ceder. Deu no que deu.

No auge da crise de seu governo, Dilma tinha apenas 8% de aprovação popular. Sete em cada dez brasileiros manifestavam rejeição ao seu governo. Foi em cima dessa impopularidade que, com apoio esgarçado no Congresso e o trator da Lava Jato, seus adversários construíram a avenida para o impeachment.

Dois anos depois, o nome do mercado para conduzir as reformas é rejeitado por 73% dos brasileiros e apenas 3% dos eleitores se dizem dispostos a votar em um candidato apoiado por ele. Henrique Meirelles, ministro do time dos sonhos e postulante do MDB ao posto, não chega a isso nas pesquisas.

Pois uma coisa é a turbulência; outra, a saída. No meio delas está um detalhe fundamental: a vontade do eleitor.

 

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