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PT é acusado de pagar grupo de influenciadores digitais para exaltar candidatos

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Atual governador do Piauí, Wellington Dias ficou boa parte do fim de semana entre os assuntos mais comentados do Twitter. Foto: EFE/ Paulo Fonseca

Por Rafa Santos

O Piauí possui 3.219.257 habitantes segundo estimativa do IBGE. A renda per capita das famílias gira em torno de R$ 750 e, segundo a última Pesquisa Nacional de Amostragem de Domicílios (PNAD), 52% das pessoas acessam a internet apenas pelo smartphone ou tablet. Apesar de estar longe de ser um dos mais populosos do país, o estado ganhou protagonismo político nas redes sociais no último fim de semana. O caso que tem sido tratado como “Wellington Dias Gate” e alçou o Piauí ao ranking de assuntos mais comentados do Twitter.

Supostamente, o PT teria contratado uma agência que recrutou um grupo de influenciadores digitais para promover feitos das administrações petistas espalhadas pelo país e pautas do campo progressista de maneira remunerada. O caso veio a tona na noite de sábado com a publicação da usuária do Twitter @pppholanda que teria se negado a publicar posts exaltando a administração de Wellington Dias por não conhecer o Piauí.

A primeira sugestão de tema da ação de influenciadores era sobre a presidenta do PT, Gleisi Hoffman.

 

Reprodução/Twitter

A segunda publicação foi sobre o candidato petista ao governo de São Paulo, Luiz Marinho.

Reprodução/Twitter

A terceira publicação era justamente sobre o governo de Wellington Dias no Piauí.

 

Reprodução/Twitter

O Yahoo Notícias entrou em contato com a internauta que fez a denúncia. Ela não quis se pronunciar. “Tudo que eu tinha para dizer está dito na thread. Não quero me posicionar mais sobre isso. Já recusei falar com todos que me pediram posicionamentos. Não quero fazer mais parte disso do que já faço”, argumentou. A usuária em questão permitiu o uso de seus posts na reportagem, mas pediu para que seu nome completo, idade e profissão não fossem divulgados.

Thread by @pppholanda: “tenho algo muito importante para falar. quero deixar claro que vou expor essa situação depois de muita tentativa de diálogo, o que não acont […]”

Também foi divulgado no Twitter um e-mail em que os influenciadores eram supostamente orientados sobre o teor das publicações. “O conteúdo que pretendemos fazer é bastante flexível e de acordo com a linha editorial do influenciador, respeitando sempre a forma que ele se comunica com a audiência”, diz um trecho da proposta. Os valores para participar da campanha variavam entre R$ 500 e R$ 1.500.

Pagar pessoas com muitos seguidores nas redes sociais para falar sobre produtos e serviços não é nenhuma novidade. É uma prática comum no mercado publicitário. Esse tipo de divulgação, no entanto, deve ser claramente sinalizada como conteúdo patrocinado. A orientação é do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar). Neste ano o órgão julgou e condenou ações de empresas como McDonald’s e SBT. Veja mais sobre aqui.

A agência apontada por usuários como responsável pelo recrutamento dos influenciadores é a Lajoy. Fundada em 2010, a empresa atua fazendo a “ponte de comunicação entre marca, influenciador e target”, como descrito no site da companhia que saiu do ar no início da noite deste domingo. O Yahoo Notícias entrou em contato com Joyce Falete, CEO e fundadora da Lajoy. Ela negou que a empresa seja responsável pela campanha e diz ter apenas prestado consultoria a outra agência.

“Fui contratada, para o mês de junho e julho, pela empresa Be Connected para dar consultoria sobre quais jovens profissionais tecnológicos e digitais de esquerda eram aptos a construir e sugerir a melhor tática (conteúdo: posts, memes e gifs) de apresentar a proposta para quando chegasse o período eleitoral. Não havendo nenhuma contratação pela minha empresa para este período. Através da minha experiência, conhecimento e proximidade com os influencers, indiquei os que, como eu, discutem e fortalecem as causas progressistas de esquerda. Apenas seguindo a solicitação do nicho pedido pela Be Connected. Não é surpresa pra ninguém que me acompanha que eu sempre fui de esquerda e sempre fui Lula Livre e sempre fui petista e apoio o PT.  A Lajoy existe há 8 anos. Nossa credibilidade foi conquistada com muito trabalho e responsabilidade. Neste caso, não agimos diferente. Temos segurança da qualidade do nosso trabalho e da parceria consistente com nossos clientes e parceiros”, declarou.

Os influenciadores envolvidos no caso passaram o dia sendo questionados por seus seguidores que enxergaram a participação na campanha como algo eticamente questionável e alguns publicaram breves posicionamentos.

Reprodução/Twitter

O perfil @centralfeminista com 20 mil seguidores publicou uma nota afirmando que o conteúdo vinculado a candidaturas específicas teria sido imposto aos participantes.

Alguns perfis informaram que foram procurados para participar da campanha, mas recusaram.

No que diz respeito a lei eleitoral, a ação de influenciadores não consta na lista de proibições elencadas na cartilha interativa de publicidade eleitoral na internet divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Entretanto, o artigo 24 da resolução Nº 23.551 de 18 de dezembro de 2017 do TSE afirma que “é vedada a veiculação de qualquer tipo de propaganda eleitoral paga na internet, excetuado o impulsionamento de conteúdos, desde que identificado de forma inequívoca como tal e contratado exclusivamente por partidos políticos, coligações e candidatos e seus representantes”. A pena para quem não obedece a regra é uma multa de R$ 30 mil.

Em nota publicada pelo portal GP1, Wellignton Dias negou ter feito qualquer tipo de pagamento em troca de postagens positivas no Twitter. Veja:

“Sobre a repercussão do nome do governador Wellington Dias nas redes sociais, em especial no Twitter, é importante esclarecer que esta não é uma atividade organizada pela campanha. O que se observa pelos comentários nas redes sociais e nos prints que circulam é que este é um movimento nacional, que simpatiza com a esquerda e com o Partido dos Trabalhadores. O governador Wellington foi incluído de alguma forma por fazer parte deste contexto”.

O Yahoo Notícias tentou contato com a agência Be Connected que enviou a seguinte nota:

“Nós somos contratados para fazer diagnóstico, monitoramento e análises de ambiente. Extraímos inteligência, damos a visualização da rede de influência e correlação de assuntos de seus monitoramentos. O foco dessa ação é entender o público de esquerda e planejar ações para o momento oportuno.

Dentre nossas ações, apontar e combater fakes, robôs e pessoas que não tem identidade com a causa. Analisamos e monitoramos perfis reais para apontar de onde nasceram movimentos de unificação de conteúdo e viralização.

Em alguns momentos fizemos isso, como no caso do #Lulazord, que obteve grande aderência da rede de esquerda.

Temos uma equipe de profissionais de inteligência digital com o objetivo de colher sugestão do melhor conteúdo: posts, memes, gifs, vídeos e leads compreendendo quais as melhores formas de fortalecer o ativismo da tática nacional.

Nunca contratamos um único influencer ou qualquer ação nesse sentido. Repudiamos a compra de apoio e fake news”.

A reportagem também entrou em contato com a assessoria de imprensa do PT, mas até o fechamento desta reportagem não obteve retorno.

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