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PT e PSDB apostam na TV para retomar protagonismo dos últimos 24 anos

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Futura Press

PT e PSDB dividiram o protagonismo das últimas seis eleições presidenciais. Tem sido assim desde 1994. Há 24 anos, portanto. Cabeça a cabeça, petistas e tucanos disputaram o segundo turno em 2002, 2006, 2010 e 2014. Fernando Henrique Cardoso venceu Lula em 1994 e 1998 ainda no primeiro turno.

Após a Lava Jato, as duas legendas chegam a 2018 como símbolos da terra arrasada que se tornou o quatro político partidário. O PT, ainda sob o baque do impeachment de Dilma Rousseff, ainda tenta se reerguer após a surra nas eleições municipais de 2016, quando perdeu metade das prefeituras que comandava.

O PSDB cresceu 15,6% naquele ano, mas não tardou a virar vidraça. Seu então comandante, Aécio Neves, se deixou gravar em conversa estranha com Joesley Batista, na qual pedia dinheiro e prometia, em tom de brincadeira, matar um primo se ele fizesse delação.

Hoje o candidato tucano à Presidência tem 9% das intenções de voto no cenário sem Lula, segundo o último Datafolha.

Quem lidera a corrida é o ex-presidente, que está preso e virtualmente impedido de concorrer. Seu substituto é Fernanda Haddad, cujo desempenho (4%) mostra como o PT enfrenta dificuldade para se manter nas cabeças sem a sua principal liderança.

Tudo isso faz com que PT e PSDB, grupos hegemônicos das últimas disputas presidenciais, pontuem como coadjuvantes no cenário eleitoral mais provável, com Haddad no lugar de Lula.

Perderam terreno para Jair Bolsonaro (PSL), Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT), integrantes de partidos nanicos, no caso dos dois primeiros, e de um antigo satélite petista, no caso do ex-governador do Ceará.

Se a eleição fosse hoje, conforme indicam as pesquisas, petistas e tucanos não chegariam sequer ao segundo turno.

Por isso a estratégia da campanha na TV, que começa para eles no sábado, 1º de setembro, será determinante para a retomada do protagonismo das disputas anteriores.

Nesse embate televisivo eles são ainda os cachorros grandes graças às forças das bancadas e das coligações.

Alckmin, que reuniu em sua coligação o PRB, o PP, o PP, o PPS, o PR, o DEM, o PSD e o Solidariedade, terá 44% dos 25 minutos dos blocos diários do horário eleitoral e contará com 434 inserções de 30 segundos cada, segundo levantamento da Folha de S.Paulo.

O candidato petista, seja que for, como for, terá 19% do tempo e 189 inserções.

O PSL garantirá a Bolsonaro, por exemplo, 1,2% do tempo na TV e 11 inserções até o fim da campanha. Traço, portanto. Marina Silva terá 29 e Ciro, 51.

Para quem larga com tantos votos atrás, o tempo de TV valerá ouro. Em sua estreia, Alckmin buscará tirar votos de Bolsonaro com uma dura crítica ao discurso pró-armamento do deputado. A peça, segundo o vídeo já divulgado, mostrará balas de munição destruindo objetos até se aproximar da cabeça de uma criança. A mensagem? “Não é na bala que resolve”.

Já o PT pretende usar imagens do registro da candidatura de Lula, acompanhado de uma multidão de seguidores, e revezará as falas do ex-presidente com a de seu virtual substituto. Baterá na tecla de que o partido tem sofrido perseguição política desde o impeachment e policial e jurídica, desde a prisão de seu candidato, com a promessa de reconstruir as bases das garantias sociais destruídas por Michel Temer.

Bolsonaro terá tempo apenas para chamar o eleitor a conhecer suas plataformas digitais, onde consolidou sua liderança até aqui.

Embora seja alto o índice de brancos e nulos apurados pelo Datafolha no cenário mais provável (22%), os indecisos somam apenas 6% do eleitorado.

Quem quiser ganhar voto terá de tirar de alguém, o que explica a artilharia tucana em direção a Bolsnaro. Quem for para o jogo, portanto, terá de levar as caneleiras. A briga agora é entre cachorro grande. Vence quem morder mais?

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