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Quem tem medo de João Amoêdo?

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EFE/Sebastião Moreira

Ele é escandalosamente rico. O preparo físico espanta: completou seis edições da competição esportiva IronMan e já correu dez maratonas. Decidiu, após alguma reflexão, que sua missão de vida seria modificar a sociedade, trazendo benefícios, segurança e inovação.

Poderíamos estar falando de algum magnata de histórias em quadrinhos que, munido de recursos e tecnologia, resolve vestir uma roupa especial e se tornar um herói para seus compatriotas, combatendo incansavelmente a vilania. 

No entanto, João Dionísio Amoêdo (55), usa como armadura apenas a sua camiseta laranja: cor adotada pelo partido NOVO em sua decolagem no cenário político do país. E seu combate incansável depende de muitas instituições para se tornar realidade no futuro.

O partido que João fundou e que corrobora sua futura atuação política tem seu engajamento completamente movido pela renovação. Com entrevistas rigorosas para admissão de seus candidatos e treinamentos sobre ciências políticas, economia e filosofia promovidos internamente, o NOVO se propõe a reconstruir os últimos anos da tragédia populista que precarizou nosso país. É, hoje, a única opção ligada ao movimento liberal e, inclusive, absorveu candidatos desgarrados da legenda LIVRES, vertente liberal que abandonou o PSL após o partido ser entregue nas mãos da família Bolsonaro. O NOVO conta, hoje, com quase 400 candidatos aos cargos das próximas eleições, por todo o país.

Toda a empolgação, no entanto, tem sido contida por aquilo que as ideias do partido mais afastam: a burocracia e o jeitinho brasileiro. 

O candidato à Presidência da República não pôde participar dos debates mais recentes, de grande alcance nacional. A representatividade ainda pouco expressiva do NOVO no campo de políticos eleitos permite que seus candidatos sejam dispensados de painéis ou debates, caso os veículos de transmissão e os demais candidatos escalados assim o desejem. As regras de veto acabam tornando toda a divulgação contraproducente, restringindo o meio político às panelinhas “de sempre” e evitando a entrada de todas as opções da nova geração. Típico “monopólio de Brasil”.

A grande questão é que o cidadão médio, ao analisar os ideais promovidos por João Amoêdo e o partido NOVO, sentem ali uma grande convergência com seus próprios anseios e desejos de melhoria. Para todos os outros, esta afinação mostra-se perigosa por colocar em risco seus próprios discursos.

Além disso, sua alta declaração de renda é completamente inusitada, fazendo com que o eleitor ofereça sua admiração não apenas ao candidato que foi capaz de tirar um banco inteiro da zona de falência em tempos idos, mas que também soube gerenciar seu próprio patrimônio de forma esplendorosa. João também tem retidão para admitir publicamente o quinhão que possui, sem dever nada a ninguém, contrariando o clichê político de “austeridade no papel e prodigalidade na prática”. Afinal, apesar do que suas declarações oficiais dizem, ninguém coloca a mão no fogo pelo verdadeiro estilo de vida que levam os velhos coronéis da política.

Quando seus concorrentes e os veículos de mídia optam por não trazer João Amoêdo, transmitem uma mensagem clara: estão com medo da inovação.

São a versão parlamentar dos taxistas ameaçados pelos aplicativos de motoristas particulares. São os produtores de máquinas de escrever subestimando o valor dos computadores.

Pode até ser que João Amoêdo não chegue perto de ganhar estas eleições – assim como pode ser que apenas poucos candidatos do NOVO a outros cargos se elejam. No entanto, as eleições de 2018 são o palco fundamental para mostrar às pessoas que a política em si pode ser encarada de outra forma pelos brasileiros, e que pode deixar de ser um imenso fardo para se tornar uma via de construção da verdadeira liberdade. E ninguém, nem mesmo os vilões paranóicos de outras galáxias retratados nos quadrinhos, podem impedir o avanço de boas ideias e daqueles que as promovem.

Mariana Diniz Lion (@maridinizlion) é formada em Direito pela FMU, pós-graduada em Economia Austríaca pelo IMB e especialista do Instituto Mises Brasil

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