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Rússia inicia maiores exercícios militares desde colapso da União Soviética

Por Andrew Osborn
Reuters

Veículos militares russos durante apresentação nos arredores de Moscou

Veículos militares russos durante apresentação nos arredores de Moscou 23/08/2018 REUTERS/Maxim Shemetov

Por Andrew Osborn

MOSCOU (Reuters) - A Rússia iniciou nesta terça-feira os maiores jogos de guerra desde o colapso da União Soviética com exercícios perto da fronteira com a China, mobilizando 300 mil soldados em uma demonstração de força que incluirá exercícios conjuntos com o Exército chinês.

China e Rússia já realizaram exercícios conjuntos, mas não de escala tão grande, e a manobra Vostok-2018 (Leste-2018) sinaliza laços militares mais estreitos e funciona como um lembrete silencioso a Pequim de que Moscou é capaz e está disposta a defender seu extremo leste escassamente povoado.

O Vostok-2018 coincide com um aumento na tensão entre o Ocidente e a Rússia, e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) disse que monitorará o exercício atentamente, assim como os Estados Unidos, que têm uma presença militar forte na região Ásia-Pacífico.

O Ministério da Defesa russo transmitiu nesta terça-feira imagens de caminhões militares sendo transportados em trens, colunas de tanques, veículos blindados e navios de guerra em trânsito, além de helicópteros de combate e caças decolando.

Esta atividade foi parte do primeiro estágio do exercício, que vai até 17 de setembro, disse o ministério em um comunicado. Ele envolve a mobilização de forças adicionais no extremo leste russo e um reforço naval abrangendo suas frotas do norte e do Pacífico.

O objetivo principal é verificar a prontidão dos militares para movimentar soldados em distâncias longas, testar o quão estreitamente a infantaria e as forças navais cooperam e aperfeiçoar procedimentos de comando e controle. Estágios posteriores envolverão ensaios de situações defensivas e ofensivas.

A Rússia também realizou um grande exercício naval no leste do Mediterrâneo neste mês, e seu caças voltaram a bombardear a região síria de Idlib, o último grande bastião de rebeldes combatendo o presidente sírio, Bashar al-Assad, seu aliado.

O fato de o principal local de treinamento do Vostok-2018 estar a cinco mil quilômetros ao leste de Moscou significa que o exercício provavelmente será observado com atenção pelo Japão e pelas Coreias do Norte e do Sul, além da China e da Mongólia, cujos Exércitos participarão de manobras no final desta semana.

Analistas dizem que Moscou teve que convidar os militares chineses e mongóis por causa da proximidade dos jogos de guerra de suas fronteiras e porque, devido à sua escala, os países vizinhos provavelmente os veriam como uma ameaça se fossem excluídos.

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