Update privacy choices
Notícias

Sem Lula e Bolsonaro, Ciro, Marina e Alckmin evitam confronto

Yahoo Notícias
Debate entre candidatos à presidência da República, promovido pela TV GAZETA, na Avenida Paulista, em São Paulo (SP), neste domingo (9). (Ronaldo Silva/Futura Press)

Por Natália André

São Paulo (SP) – Com a falta dos dois candidatos mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto até aqui, Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PSL), os presidenciáveis que aparecem empatados no terceiro lugar, Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede) e Geraldo Alckmin (PSDB), evitaram confrontos durante o debate da TV Gazeta, com parceria com o jornal O Estado de S. Paulo, a Rádio Jovem Pan e o Twitter, neste domingo (9).

O ex-presidente, que está preso em Curitiba, desde o dia 7 de abril, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá, não teve nenhum representante, como nos outros debates da Band e da RedeTV. E o capitão do exército, que foi esfaqueado durante o comício, na quinta-feira (6), em Juiz de Fora (MG), segue internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, e também não contou com ninguém, além dos manifestantes que ficaram em frente ao prédio da Gazeta, na Avenida Paulista, antes do início do evento.

Durante os embates, Ciro chegou a questionar Alckmin sobre a prisão de Lula e a tragédia do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, e Marina sobre saúde pública. Marina também questionou Ciro uma vez, mas sobre educação. E Alckmin perguntou para Marina sobre segurança. Esses cinco momentos serviram para os candidatos apresentarem propostas sem interrupções ou desavenças. Entre Ciro e Marina, inclusive, houve elogios como quando Ciro disse que Marina era a prova de que o ensino público mudava a vida das pessoas.

Com os candidatos menores nas pesquisas, Henrique Meirelles (MDB), Guilherme Boulos (PSOL) e Alvaro Dias (Podemos), os embates mais tensos foram os que envolveram o coordenador do MTST. Boulos falou com Marina sobre as demarcações indígenas, com Meirelles sobre educação e economia, com Alvaro sobre a PL 6299/2002, sobre o uso mais flexível dos agrotóxicos no país. Nesses dois últimos confrontos, Boulos arrancou reações da plateia dizendo que “não vou chamar o Meirelles, vou taxar o Meirelles” e “quando se trata de veneno na comida das pessoas, não pode ter meias palavras”. Alvaro Dias disse que era a favor do uso dos agrotóxicos, mas de forma moderada. Já Meirelles afirmou que sempre pagou seus impostos “com muito prazer”.

Durante as considerações finais, todos os presidenciáveis falaram que violência não é a saída para os problemas do Brasil e o discurso de ódio, radical, só piora a situação de crise generalizada em que o país se encontra.

LEIA MAIS:
Barroso proíbe PT de apresentar Lula como candidato
Ibope: Bolsonaro lidera, mas perde de quase todos no segundo turno

Sobre as faltas de Lula e Bolsonaro, nos bastidores do debate, os candidatos se manifestaram de diferentes formas. Ciro afirmou que é uma pena não ter Bolsonaro nos debates, primeiro, por ele ter sofrido um atentado, depois, por eles terem muitas diferenças e os debates servirem para que o pedetista mostra-las para os eleitores. “Ele foi ferido na barriga, na cabeça, não mudou nada”, concluiu ainda afirmando que ter ou não Bolsonaro não fez diferença. Sobre Lula, Ciro afirmou que, como ele não foi nos outros, não fez diferença. “O PT não decide o candidato então estamos tendo a ausência do PT. Esse foi igual aos outros”, concluiu.

Guilherme Boulos disse que é uma injustiça não ter Lula ou um representante do PT e que também lamenta a ausência de Bolsonaro. “Estamos em campos opostos e isso vai continuar”, afirmou.

Henrique Meirelles culpou o radicalismo pela falta de Bolsonaro. “Isso é inaceitável. As divergências têm que ser resolvidas com diálogo. (…) devemos respeitar o ser humano e torcer pela sua melhora, inclusive, para que ele possa participar do próximo debate”, finalizou.

Marina Silva lembrou da morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do atentado à caravana de Lula, no início do ano, para falar sobre a violência na política brasileira. “Esse ato mostrou que não é com armas que se resolve o problema da violência. (…) se fosse um revólver, o próprio Bolsonaro poderia ter morrido”, falou.

Geraldo Alckmin disse que o atentado ao Bolsonaro não vai mudar a estratégia de sua campanha. “Os últimos debates também foram propositivos então, a ausência do deputado federal não apresentou grandes mudanças”, finalizou dando conta de que não fez diferença a falta de Bolsonaro.

Alvaro Dias afirmou que não dá para adivinhar o que vai acontecer com as pesquisas depois do atentado a Bolsonaro. Sobre o evento, concluiu que “o debate político precisa ser à altura do povo brasileiro que é da paz”.

Reações

Leia também