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Taxa de felicidade do mundo atinge menor nível em 10 anos, indica pesquisa

Por Umberto Bacchi
Reuters

Crianças em pé durante chuva na cidade de Boda

Crianças em pé durante chuva na cidade de Boda 14/04/2014 REUTERS/Goran Tomasevic

Por Umberto Bacchi

LONDRES (Thomson Reuters Foundation) - As taxas de felicidade no mundo atingiram seus menores níveis em mais de uma década, com o número de pessoas que se dizem estressadas e preocupadas aumentando, indicou pesquisa publicada nesta quarta-feira.

Abalada por conflitos, a República Centro-Africana foi o local mais infeliz do mundo no ano passado, e o Iraque ficou em segundo lugar, de acordo com ranking do instituto Gallup.

"Coletivamente, o mundo está mais estressado, preocupado, triste e sofrido hoje do que jamais vimos", disse o editor-gerente do grupo, Mohamed Younis, no prefácio do estudo.

O instituto entrevistou mais de 154 mil pessoas em 146 países perguntando se elas sentiram dor, preocupação, estresse, raiva ou tristeza no dia anterior, e disse que o humor global está em seu pior momento desde que a primeira pesquisa do tipo foi realizada em 2006.

A África subsaariana liderou o ranking, com 24 de 35 países pesquisados atingindo seu menor índice de felicidade em uma década em 2017, muitas vezes devido a conflitos civis que afetaram os sistemas de saúde e provocaram fome.

"Na República Centro-Africana e alguns destes outros lugares, altas porcentagens da população estão tendo dificuldade para conseguir o básico", disse a principal autora do estudo, Julie Ray, à Thomson Reuters Foundation por telefone.

A República Centro-Africana vem sendo assolada pela violência, e atualmente a maior parte do país está fora do controle do governo e cerca de três em cada quatro moradores disse ter sentido dor e preocupação.

Mesmo países mais ricos não ficaram imunes à mudança de humor. Cerca de metade dos norte-americanos entrevistados disseram estar estressados, aproximadamente a mesma proporção vista na República Centro-Africana.

O economista Jan-Emmanuel de Neve disse ser "perturbador" ver o humor global piorando, apesar do crescimento de riquezas e do progresso material no mundo.

"Provavelmente existe um indicador mais estrutural ligado ao fato da riqueza crescente não ser suficientemente inclusiva", disse De Neve, professor-associado da Universidade de Oxford que escreveu sobre a relação entre renda e felicidade.

O Paraguai liderou uma segunda tabela de países mais positivos, para a qual moradores foram perguntados se haviam se sentido descansados, se foram tratados com respeito, se divertiram ou aprenderam algo no dia anterior.

Devastados por guerras, Iêmen e Afeganistão apareceram no fim dessa lista.

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