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Toyota prepara teste de Prius "flex" de São Paulo a Brasília

Por Alberto Alerigi Jr.
Reuters

Logomarca da Toyota em um carro estacionado em São Paulo

Logomarca da Toyota em um carro estacionado em São Paulo 2/06/ 2017. REUTERS/Paulo Whitaker

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO (Reuters) - A montadora japonesa Toyota vai dar continuidade neste mês a uma estratégia de desenvolvimento de veículos equipados com motores elétricos e que funcionam com gasolina e etanol, os chamados híbridos flex, começando com um teste em que vai fazer o modelo Prius rodar de São Paulo a Brasília.

O Prius "flex" vai percorrer os cerca de 1.000 quilômetros entre as duas cidades saindo de São Paulo em 19 de março e chegando à capital federal em 21 ou 22 de março, informou a montadora japonesa.

O Prius é o veículo híbrido mais vendido no Brasil. O modelo custa cerca de 127 mil reais e teve venda de cerca de 2 mil unidades no ano passado.

Mais do que demonstrar a viabilidade de um motor flex em um modelo híbrido, que normalmente funcionam apenas com gasolina, a iniciativa da Toyota ocorre em um momento em que o governo federal tem se recusado a reduzir a carga tributária sobre a tecnologia.

Uma reunião ocorrida na quarta-feira entre representantes do Ministério da Indústria e Comércio Exterior e da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) terminou sem um compromisso do governo de reduzir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos híbridos e elétricos para 7 por cento, mesma alíquota cobrada dos modelos de motor 1.0.

Atualmente, carros totalmente elétricos têm uma alíquota de IPI de 25 por cento, enquanto os modelos híbridos têm taxação de 13 por cento.

"O ministério disse que o governo não vai assinar agora um decreto (de redução do IPI sobre híbridos e elétricos)", disse o presidente da ABVE, Ricardo Guggisberg, na quarta-feira.

"Isso (alíquotas do IPI) impacta demais os carros elétricos e híbridos no Brasil. Está emperrando o mercado inteiro e se o mercado não cresce, não se desenvolve indústria de componentes, infraestrutura de recarga...Nada vai para frente", acrescentou. Uma nova reunião, porém, deve ocorrer na semana que vem com grupo do governo que estuda o desenvolvimento de veículos elétricos no Brasil, disse Guggisberg.

Questionado, o ministério não se manifestou sobre o assunto.

Apesar das vendas de carros elétricos e híbridos no Brasil serem uma fração do total comercializado no país, os licenciamentos destes modelos triplicaram entre 2016 e 2017. As vendas subiram de 1.092 unidades em 2016 para 3.296 no ano passado, disse Guggisberg.

"O volume de vendas atual é pequeno demais para (a redução do IPI) afetar a arrecadação do governo", disse o presidente da ABVE.

A associação de montadoras de veículos do Brasil, Anfavea, defende o desenvolvimento tecnológico do país, mas sempre quando é questionada a respeito pondera que o Brasil precisa aproveitar a tecnologia do etanol como alternativa de eficiência energética e de controle de emissão de poluentes.

Segundo a Guggisberg, o modelo a ser demonstrado dia 19 é o primeiro do mundo com a motorização híbrida e com motor a combustão que funciona a gasolina e etanol.

Para o evento do dia 19, a Toyota convidou, além da Anfavea, representantes da entidade que reúne a indústria da cana de açúcar, a Unica, além da agência paulista de investimento e desenvolvimento, Investe São Paulo.

Após sair de São Paulo, o Prius "flex" da Toyota vai fazer uma parada na cidade de Paraguaçu Paulista, onde vai ser demonstrado em uma usina de açúcar e etanol, antes de seguir a peregrinação para Brasília, afirmou a montadora.

(Por Alberto Alerigi Jr.)

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